A família do empresário Achilles dos Reis, 77 anos, que morreu após ter sido encontrado agonizando anteontem, acredita que ele tenha sido vítima de uma emboscada na entrada do haras, cujo acesso fica na estrada vicinal Artur Sartori, entre o distrito de Tibiriçá e a rodovia Marechal Rondon. Habitualmente, a porteira da fazenda fica aberta durante o dia, sendo fechada apenas à noite.
Anteontem, porém, no meio da tarde, ela foi encostada em várias ocasiões, conforme relato de pessoas que entraram na propriedade. Achilles foi achado ferido dentro de sua caminhonete, que havia capotado. Há informações de que outras pessoas estavam na caminhonete e fugiram após o acidente. Ao lado da porteira foram encontrados dois bonés e dois galhos de árvore descascados, que podem terem sido usados para golpear a vítima. O contexto despertou suspeitas.
É perfeitamente possível uma pessoa esconder-se atrás da cerca-viva que ladeia a porteira. Conforme a reportagem apurou, bem próximo à entrada, existe um pequeno portão de ferro que dá acesso ao pasto . A cerca-viva separa justamente a entrada desta pastagem. Os supostos criminosos teriam ficado escondidos no local, até que Achilles saísse da fazenda e parasse na porteira para abri-la.
No local, ainda ontem, a vegetação estava amassada e havia bitucas de cigarro. Além disso, o portão de ferro ficou aberto, o que não é comum, segundo declarações de funcionários. Suspeita-se que os autores do delito tenham escolhido a vítima porque era idosa, embora não aparentasse ter 77 anos. Caso contrário, abordariam as pessoas que abriram ou fecharam a porteira antes dela.
Incertezas
Mas os indícios estão imersos num caso cercado de dúvidas e situações estranhas. Entre elas, o fato do veículo ter seguido sentido Tibiriçá após a suposta abordagem dos criminosos. No distrito, a caminhonete de Achilles (uma Hilux, placas EDH 1613) era bastante conhecida pelos moradores, que poderiam reconhecê-la. Se o interesse fosse roubá-la, seria mais prudente seguir sentido Rondon, situada a cerca de três quilômetros. De qualquer forma, o veículo percorreu apenas cerca de 800 metros antes de capotar.
Estava em alta velocidade, conforme a reportagem apurou. Talvez por essa razão, o condutor perdeu o controle da direção e a caminhonete avançou sobre um barranco à esquerda. Depois, capotou. Quando o parou, uma testemunha viu dois homens deixarem o carro e se embrenharem pelo mato. Sem sucesso, a reportagem tentou localizá-la ontem. Ela não foi encontrada na zona rural, onde moradores vivenciam sensação de insegurança.
Quando a Polícia Militar chegou ao local do acidente, Achilles ainda estava vivo, mas ferido na cabeça e com esmagamento de tórax. Foi socorrido por uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas morreu no Hospital de Base. Segundo o diretor do Instituto Médico Legal (IML), Ivan Segura, ele morreu em função de trauma craniano e contusão torácica.