Cerca de 50 moradores do distrito de Tibiriçá se reuniram, ontem à noite, em frente à escola estadual Major Fraga para protestar contra a falta de segurança no local. A maioria deles era de pais e mães de alunos, sensibilizados com a família do adolescente de 16 anos que foi agredido por um outro jovem em frente ao colégio, na última sexta-feira.
A manifestação foi organizada pela Associação de Moradores do distrito de Tibiriçá e contou com a presença do pai do rapaz. A principal reivindicação do grupo é de que ao menos uma viatura da Polícia Militar (PM) realize, permanentemente, ronda escolar nos horários de entrada e saída dos estudantes.
Atualmente, estão matriculados cerca de 410 alunos na escola, entre ensino médio e fundamental, distribuídos nos três períodos. “Eu só quero que um outro pai não passe pelo que eu estou passando. Se tivesse polícia aqui em frente, com certeza essa violência contra o meu filho não teria acontecido”, pondera o pai.
Revoltados, ontem os moradores gritaram em frente ao colégio, exigindo que um representante da instituição se manifestasse. Depois de baterem inúmeras vezes no portão e já com a presença de duas viaturas da polícia, o vice-diretor Sérgio de Castro apareceu do lado de fora.
Ele disse ser favorável ao protesto dos moradores, mas salientou que a escola não pode ser responsabilizada pelo espancamento sofrido pelo aluno, já que a agressão aconteceu fora das dependências da instituição. “O incidente ocorreu no ponto de ônibus e é a primeira vez que ocorreu uma agressão como essa aqui em frente. Mas seria interessante termos uma ronda intensificada no entorno para evitar esse tipo de violência novamente”, avalia.
Para a presidente da associação, Rosa Maria Gomes de Souza, o episódio contra o adolescente expôs uma antiga necessidade, que já vinha sendo reivindicada pelo moradores há algum tempo. “Nós não temos nenhuma viatura policial aqui. De vez em quando vem uma, fica um pouquinho e vai embora”, revela.
Segundo a mãe de aluno Sandra Bressan, o policiamento, quando acionado, demora cerca de meia hora até chegar ao distrito. “Nós pagamos impostos e também temos direitos. Estamos pedindo socorro, mas estamos esquecidos. Isso não é justo”, reclama.
Ela cita a emboscada que tirou a vida do empresário Achilles dos Reis, no último sábado, também em Tibiriçá, para justificar a reivindicação por mais segurança.
____________________
Em recuperação
Segundo o pai do adolescente espancado, o quadro de saúde de seu filho está evoluindo bem, mas acrescenta que o rapaz está triste e envergonhado com a situação. “Ele não está revoltado, começou a comer hoje (ontem), mas sente muita vergonha, porque foi muito agredido e não teve chance de reagir”, comenta.
Conforme o JC divulgou, na noite da última sexta-feira, o jovem desceu do coletivo que o levava para a escola, quando foi surpreendido pelo atual namorado de sua ex-namorada.
Acompanhado por outros dois rapazes, o acusado deu um soco no estudante, que ainda foi alvo de chutes. Mesmo caído ao solo, foi agredido até perder os sentidos, segundo consta no boletim de ocorrência.
O garoto foi socorrido e internado com traumatismo craniano na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base (HB), de onde saiu no último sábado. Os nomes dos adolescentes e de seus responsáveis serão preservados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e para evitar constrangimentos às vítimas e seus familiares.