Itapuí - O corte de árvores nativas e a suposta venda ilegal da lenha pela Prefeitura de Itapuí (46 quilômetros de Bauru) é alvo de denúncia da Organização Não Governamental (ONG) Bica de Pedra junto ao Ministério Público (MP) de Jaú. As árvores teriam sido cortadas pela prefeitura nos últimos três anos. “São as árvores da área urbana de Itapuí que estão sendo cortadas indiscriminadamente e vendidas para função de energia, para a produção de tijolos ou produção de padaria”, afirma o ambientalista José Vitor Ficcio.
Conforme o JC divulgou na edição do último dia 7, a ONG Bica de Pedra havia encaminhado requerimento ao Ministério Público (MP) de Jaú denunciando o corte de 12 espécies de alecrim de campinas que foram derrubadas, pela prefeitura, para a construção de passarelas para pedestres, na Praça São Benedito, na entrada da cidade.
“Eu conversei com um especialista em lenha e chegamos à conclusão que o que tinha depositado (no pátio da prefeitura) eqüivale mais ou menos a 360 metros cúbicos de lenha. Isso eqüivale a mais de 520 árvores”.
Parte da lenha acumulada no depósito, de acordo com o ambientalista, já teria sido comercializada pela prefeitura sem a documentação necessária. “Precisa da guia do Ibama autorizando o transporte de lenha nativa”, explica.
Ficcio diz que colheu cerca de 84 assinaturas de moradores em um abaixo-assinado contra o corte indiscriminado de árvores nativas. A denúncia feita pela ONG Bica de Pedra está sendo analisada pelo Ministério Público de Jaú através do promotor do Meio Ambiente, Jorge João Marques de Oliveira.
O responsável pelo Departamento de Meio Ambiente da Prefeitura de Itapuí, Silas de Moura Oliveira, explicou, no início deste mês, que o corte de árvores na Praça São Benedito foi autorizado pelo Executivo, pois no local está sendo executado um projeto de revitalização. “Como é área urbana não tem necessidade de pedir outro tipo de autorização”.
O JC conversou com Oliveira ontem, novamente, e ele afirmou que tudo está sendo feito dentro da legalidade. “Ainda mais por estarmos em época de campanha (eleitoral). A prefeitura não faria nada ilegal”, confirma.
A assessoria de comunicação da Prefeitura de Itapuí confirma que a comercialização da lenha foi feita de forma legal, por licitação pública, para empresa de Boracéia. “A prefeitura faz podas de árvores freqüentemente. A prefeitura faz uma licitação e vende essa sobra de galhos, pelo preço maior, a empresas que usam madeira para fornos”, confirma a assessoria.