Internacional

EUA e Rússia enviam navios à Geórgia

Folhapress
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Moscou - Um navio militar dos Estados Unidos atracou no porto de Batumi, no sul da Geórgia, no mar Negro, ontem, com ajuda humanitária. O porto foi escolhido em alternativa ao de Poti, que fica a 80 km e ainda é controlado por tropas russas. No mesmo dia, a Rússia levou um cruzador e mais dois barcos para o porto de Sukhumi, capital da região separatista georgiana da Abkházia, a 289 km de Batumi, para realizar operações de paz.

Um cruzador militar americano já havia deixado 34 toneladas de ajuda humanitária em Batumi no domingo. Ele recebeu orientação para permanecer no mar Negro por enquanto.

O posicionamento das embarcações acontece em meio a uma crise diplomática entre EUA e Rússia. Ontem, o presidente russo, Dmitri Medvedev, reconheceu a autonomia de duas regiões separatistas da Geórgia, a Ossétia do Sul e a Abkházia.

O presidente dos EUA, George W. Bush, pediu que o país “reconsiderasse” a “irresponsável decisão”.

O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, David Miliband, disse ontem que o líder russo deve ter a responsabilidade de não começar uma nova Guerra Fria.

Medvedev, porém, já afirmou que “não tem medo de nada”, “nem sequer da perspectiva de uma Guerra Fria”, mas reiterou que não a deseja. “Nesta situação, tudo depende da postura de nossos parceiros da comunidade mundial.”

Ontem, mais integrantes da União Européia criticaram a declaração em favor dos separatistas.

Sobre o posicionamento do navio militar americano, o vice-chefe do comando militar russo, Anatoly Nogovitsyn, afirmou estar “preocupado” com as intenções das tropas americanas e criticou a ajuda humanitária usada como argumento para a movimentação. “Isso é diabólico. Essa ajuda pode ser comprada em qualquer mercadinho.’’

Otan

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) pediu ontem à Rússia que reverta a decisão de reconhecer a independência de Ossétia do Sul e Abkházia e respeite a integridade territorial da Geórgia.

“A Otan condena a decisão da Federação Russa de reconhecer as regiões separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia e pede à Rússia que recue em sua decisão’’, afirma a organização em um comunicado divulgado após a reunião de 26 embaixadores em Bruxelas. Segundo o comunicado, o reconhecimento, anunciado ontem pelo presidente Dmitri Medvedev após dias de conflitos com a Geórgia sobre a Ossétia do Sul, violam as resoluções do Conselho de Segurança da ONU sobre a integridade territorial georgiana.

Crise

A região vive sob forte tensão desde o início do mês, quando a Geórgia, que é aliada dos EUA, enviou tropas para retomar o controle sobre a Ossétia do Sul, região separatista que declarou independência no começo dos anos 90.

Moscou reagiu à ofensiva porque apóia o pequeno território e mantêm forças de paz na região. Rússia e Geórgia assinaram um cessar-fogo, intermediado pela França, mas desde o início dos conflitos vivem sob tensão. Líderes de vários países já fizeram apelos pela paz e pelo compromisso russo com a integridade territorial da Geórgia. A Abkházia também declarou a independência unilateral no início dos anos 90 e já demonstrou vontade de se juntar ao território russo.

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Kremlin busca apoio na Ásia

Duchambe - O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, viajou ontem para Duchambe, capital do Tadjiquistão, para participar da reunião da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) que acontece hoje. O intuito do líder russo é buscar, na Ásia, apoio para as ações que têm promovido na vizinha Geórgia, aliada dos Estados Unidos.

Para a Rússia, a maior vitória possível no SCO seria obter o apoio da China. Medvedev e o presidente chinês, Hu Jintao, se reúnem hoje. Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Qin Gang, afirmou que o país está “preocupado” com a situação de Ossétia do Sul e Abkházia.

Questionado, o porta-voz da Casa Branca, Tony Fratto, disse que a China tomará as próprias decisões. “Eu acho que não vimos nenhum país seguir a Rússia”, afirmou.

Oficialmente, a questão da Geórgia não integra a agenda do SCO, que inclui o Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão.

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