Economia & Negócios

APJ participa de encontro com Lula

Por Ricardo Wegrzynovski | De Brasília, especial para a APJ
| Tempo de leitura: 5 min

O Palácio do Planalto, em Brasília, esteve repleto ontem de autoridades federais e das principais lideranças dos segmentos produtivos do País. O clima foi de otimismo até entre os mais conservadores. A reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) serviu para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva explanar a situação econômica do País e projetar o futuro. “Como diriam alguns economistas, nosso vôo não é de galinha, mas sim um vôo de uma águia que descobriu que pode voar bem mais alto”, disse o presidente, dando o tom da conversa com as lideranças. O diretor do JC, Renato Zaiden, presidente da Associação Paulista de Jornais (APJ), participou do encontro como convidado da Presidência da República, através do ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e do ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social do governo federal, com os quais conversou a respeito do País e da imprensa regional.

O encontro contou com a presença de ministros como Dilma Rousseff (Casa Civil), Márcio Fortes (Cidades), Franklin Martins (Comunicação Social) e José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, do presidente da Câmara Federal, Arlindo Chinaglia, do presidente da Fundação Getulio Vargas, Carlos Ivan Simonsen Leal, lideranças empresariais como o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e inclusive deputados da região de Bauru, como Milton Monti (PR). Nomes representativos da sociedade, como Viviane Senna, do Instituto Airton Senna, também estiveram presentes.

A todos, Lula falou, entre outros temas focando o crescimento econômico, das descobertas de petróleo na Bacia de Campos. “O petróleo foi como um bilhete premiado, em que todos os brasileiros devem ganhar”.

Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a divulgação do boom econômico que o País está vivendo é importante, porém, pediu cautela. Skaf reclama que o governo ainda vem gastando muito com pessoal. “Há necessidade de haver um controle dos gastos públicos e parâmetros para esses gastos são necessários, sem dúvida nenhuma”. Skaf também se mostrou otimista quanto ao fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). “No ano passado, quando lutamos contra a recriação da CPMF, prevíamos que, para esse ano, teríamos um grande aumento de arrecadação, o que realmente aconteceu. Dissemos que não haveria necessidade de ter mais uma contribuição que arrecadaria R$ 40 bilhões só neste ano. Então, tudo isso se mostrou realidade. O que precisa realmente é haver um controle melhor dos gastos públicos”, diz.

Lula também se mostrou otimista quanto à indústria naval. “No início da década de 80, ela (indústria naval) era a segunda do mundo, com 36 mil trabalhadores. Aí inventaram que não tínhamos competitividade e que era mais barato comprar navios lá fora. Resultado: em pouco tempo nossos estaleiros foram à pique. Na virada do século, empregavam menos de dois mil trabalhadores. Hoje, já contamos com quatro plataformas e vamos ter ainda mais oito. Finalmente recuperamos a indústria naval brasileira”.

Mídia regional

O presidente da Associação Paulista de Jornais, Renato Zaiden, representou a mídia regional paulista no evento. O ministro Franklin Mantins conversou com Zaiden sobre os projetos do governo em termos de comunicação. Martins afirmou que o governo vê a mídia regional como uma saída concreta para que as informações do governo e do País cheguem a toda população.

“A economia está indo cada vez mais para o Interior do Brasil e nada mais normal que os jornais regionais ganharem força como vêm ganhando. E, nesse sentido, o governo federal nos seus investimentos de publicidade vem procurando dar uma participação cada vez maior aos jornais regionais porque correspondem a essa realidade. Estamos abrindo da grande mídia para as médias e pequenas, e de um modo geral, isso já vem ocorrendo”, disse Franklin Martins.

A APJ, através de Renato Zaiden, também recebeu apoio de líderes políticos presentes e de outras autoridades como o ministro das Comunicações, Hélio Costa. Zaiden aproveitou para rever o amigo Paulo Skaf, que relembrou a última parceria acertada por ambos, entre Fiesp e APJ. “Fizemos um evento inédito, Fiesp e APJ, que reuniu todos os candidatos a presidente da República e ao governo paulista, foi histórico”, disse Skaf, a respeito do projeto Agenda Brasil, que cobriu durante meses, nos jornais associados, a campanha eleitoral para presidente da República e governo do Estado em 2006, sabatinando os candidatos e vários dos principais nomes da política nacional e paulista.

Zaiden reforçou aos ministros e a Paulo Skaf que a mídia regional tem estado na vanguarda do jornalismo brasileiro pela agilidade tecnológica, independência editorial e pela capacidade de se identificar com as demandas da população, mantendo grande capilaridade com as comunidades onde está inserida. “Trata-se de uma realidade que vem se consolidando ano após ano de um trabalho feito com competência, dedicação e comprometimento com o País e que se materializa em convites como este que a APJ recebeu, para estar presente num evento que reúne grandes forças do pensamento, da produção e das decisões nacionais. É o reconhecimento da força dos jornais regionais e de sua entidade representativa, a APJ, que desde as gestões anteriores luta pela valorização dos mercados editoriais regionais e pela integração entre eles, num processo de desenvolvimento vocacionado e sustentável”.

Zaiden observa que o governo mostrou ontem um quadro nacional com tendência de consolidar o crescimento econômico, de forma segura e sem riscos de retrocessos, num otimismo cauteloso em busca de privilegiar a atividade produtiva que gera riquezas, de forma duradoura. “Nós, da imprensa, torcemos para que o País vá muito bem, mas sem nunca abrir mão de retratar a realidade seja ela qual for, de forma crítica e vigilante”.

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