O Instituto Nacional do Câncer (Inca) divulgou, recentemente, estudo que revela que pelo menos 2.655 indivíduos não-fumantes expostos involuntariamente à fumaça do tabaco morrem a cada ano no Brasil, ou seja, sete pessoas por dia. A maioria das mortes ocorre entre mulheres (60,3%), já que há mais fumantes do sexo masculino.
A quantidade de vítimas, porém, pode ser ainda maior. “A pesquisa foi feita somente em ambientes domésticos de aglomerados urbanos. Se ela fosse estendida aos ambientes de trabalho, o número de mortes seria certamente mais expressivo”, alertou o diretor-geral do Inca, Luiz Antonio Santini. Foram consideradas no estudo, para a obtenção do número e proporção de óbitos, apenas as três principais doenças relacionadas ao tabagismo passivo: câncer de pulmão, doenças isquêmicas do coração (como infarto) e acidentes vasculares cerebrais.
Definiu-se como fumantes passivos as pessoas que nunca fumaram e que moravam com pelo menos um fumante no mesmo domicílio. A escolha de indivíduos na faixa etária de 35 anos ou mais para desenvolvimento da pesquisa foi justificada pela técnica e pesquisadora do Inca Valeska Figueiredo: “Os agravos que nós estudamos dependem de uma exposição cumulativa do indivíduo à fumaça do tabaco para se desenvolverem e ocorrem, portanto, em pessoas nessa idade”.
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“Eu voltei a fumar”
Fumante há 50 anos, o aposentado Francisco Henrique Videira de Flora, 66 anos, conta que já tentou lagar o tabaco pelo menos três vezes, sem sucesso. “Em uma das vezes fiquei seis meses, mas não agüentei e voltei”, relata. Ele continua com o firme propósito de deixar de fumar até porque já está apresentando problemas de saúde por conta do vício.
“Já tenho efisema e meu médico disse que preciso parar, mas não consigo”, lamenta ele que fuma dois maços de cigarro por dia. Apesar de saber que é difícil enfrentar a crise de abstinência, Francisco não pretende usar medicamentos. “Eu acho que tem que ser pela força de vontade”, afirma.