O aeroporto Moussa Tobias voltou a ser assunto ontem, durante a audiência pública, realizada pela Secretaria Estadual de Economia e Planejamento, para discutir a Proposta Orçamentária do Estado. O governo estadual vai realizar audiências em várias regiões, visando elencar as prioridades de cada uma delas para incluir no Orçamento de 2009. Ontem foi a vez dos municípios das regiões de Bauru e Marília fazerem propostas.
Uma das principais reivindicações dos representantes de Bauru presentes à audiência foi com relação ao aeroporto Moussa Tobias. O secretário de desenvolvimento Econômico de Bauru, Wallace Sampaio, pleiteou, junto ao assessor técnico da Secretaria Estadual de Economia e Planejamento, Maurício Hoffmann, que o Estado comece a olhar com mais carinho para o aeroporto de Bauru, quando pensar em ampliar o sistema aeroviário. “Por que ao invés de construir novos aeroportos, como se cogita, não investir no que já está pronto aqui em Bauru?”, questionou Sampaio, recebendo a resposta de que o assunto será encaminhado aos órgãos competentes.
Além de viabilizar o aeroporto como um terminal de cargas, velho anseio de Bauru, foi pedida a inclusão de recursos no Orçamento para a duplicação de um trecho de 10 quilômetros da rodovia Bauru-Iacanga, que liga a rodovia Marechal Rondon até a vicinal do aeroporto. De acordo com Sampaio, o tráfego nesse trecho aumentou sensivelmente e carece de duplicação.
Além disso, uma obra que iria facilitar bastante ao acesso ao aeroporto Moussa Tobias é a conclusão do asfaltamento da vicinal do aeroporto. A estrada foi pavimentada apenas entre o aeroporto e a Bauru-Iacanga e é necessário terminar o trecho que vai até a Marechal Rondon.
A audiência pública serviu ainda para mostrar o que falta nas áreas de infra-estrututra, econômica e social. Entre os principais pedidos está o investimento em qualificação profissional, principalmente na área agrícola. De acordo com Luiz Silberto, do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), o número de assentamentos na região cresceu sensivelmente, mas ainda falta assistência técnica aos assentados, para que eles produzam. Wallace Sampaio lembrou ainda da necessidade de se trazer escolas técnicas voltadas para a capacitação dos pequenos proprietários.
Outro tema bastante discutido foi a questão tecnológica. Representantes de municípios e órgãos públicos salientaram que o investimento em parques tecnológicos deveriam ser prioridade para o governo do Estado. O assessor técnico Maurício Hoffmann destacou que esse tipo de ação depende também das forças políticas da região.
De acordo com ele, em São Carlos o parque tecnológico foi conquistado através da ação de uma Oscip, que angariou recursos do Estado, da União e da iniciativa privada para instalar a incubadora. “Sem essa ação integrada é mais difícil”, ressaltou.
Previsão
Para atender essas e outras reivindicações o Governo do Estado terá que aumentar sua capacidade de investimento. Apesar de ter conseguido ficar no azul em relação às dívidas a serem pagas, ainda falta muito para o que é considerado ideal, de acordo com Hoffmann. Para se ter uma idéia, em 2008, de um orçamento de R$ 96,87 bilhões, menos de 10% foram gastos em investimentos. O montante gasto em pagamento de dívidas foi de R$ 7,98 bilhões, mais R$ 1,62 bilhões com despesas de sentenças, acordos judiciais e desapropriações, somando quase R$ 20 bilhões, o que, segundo Hoffmann, seria o valor ideal para investimentos.
Só com pessoal e custeio da administração foram gastos quase R$ 59 bilhões em 2008. Segundo Hoffmann, esse valor abrange desde contratações até compra de material para manter a máquina do estado em funcionamento. No entanto ele afirmou que pela primeira vez o governo conseguiu investir mais do que pagou, o que já é um avanço. “Para 2009 a previsão é de um orçamento de R$ 110 bilhões. Pode ser mais ou menos, mas fica dentro dessa margem”, ressaltou.