Anunciado há tempos como o “projeto J&J”, “O Reino Proibido”, que estréia hoje nas salas de Bauru, foi especialmente concebido para reunir, pela primeira vez no cinema, os dois maiores astros de filmes de artes marciais em atividade. Mas a promessa de oferecer aos fãs do gênero o melhor de Jet Li e Jackie Chan é cumprida apenas em parte.
No balanço final, “O Reino Proibido” até consegue deixar o gostinho de uma boa “Sessão da Tarde”. Mas a simplicidade com que a história é desenvolvida, a falta de ambição épica - algo que um projeto como esse poderia tranqüilamente suscitar- e o carisma dos atores principais - especialmente de Jackie Chan, o Didi Mocó dos filmes de luta - garantem ao filme dose mínima de simpatia.
Tudo é bem básico. Jason (Michael Angarano), um adolescente de Boston apaixonado por filmes de kung fu, é forçado por uma gangue a participar de um assalto à loja do velho chinês onde ele compra filmes antigos. Em um momento de perigo, Jason se agarra a um bastão milenar que pertencia ao velho e termina acordando na China antiga, onde viverá um treinamento disfarçado de aventura, sob a dupla orientação dos monges-guerreiros interpretados por Li e Chan.
Não dá para entender muito bem porque a direção ficou sob a responsabilidade de Rob Minkoff, cujo currículo inclui a animação “O Rei Leão” e os dois filmes do ratinho Stuart Little. A experiência de Minkoff pode garantir uma boa comunicação com as crianças e adolescentes, mas sua pouca habilidade com a câmera compromete o projeto em um de seus aspectos essenciais: a qualidade da filmagem das lutas.
Não raro, elas perdem impacto pelo uso excessivo de efeitos e firulas, quando a objetividade é uma qualidade essencial para o gênero.