Política

Emdurb não mexe em radares com falhas

Alcir Zago
| Tempo de leitura: 3 min

As falhas no funcionamento de radares e lombadas eletrônicas em Bauru não estão na ordem do dia da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

Ontem, dois dias após o JC ter publicado matéria apontando problemas em vários equipamentos, a reportagem entrou em contato com a Emdurb para saber se providências estavam sendo tomadas, mas a informação é que o presidente da empresa, Carlos Barbieri, não iria se manifestar sobre o caso. Conforme consta na matéria de quarta-feira, ele afirmou que nada mudaria com relação aos equipamentos.

Durante 20 dias, o JC apurou a fragilidade na operação, na forma de instalação e obediência ao contrato de monitoramento através do acompanhamento técnico e do funcionamento do sistema. O problema é que não há tratamento igualitário com as pessoas que circulam pelas principais vias do município.

Uma das falhas identificadas é que de um total de 17 pontos de radares fixos instalados na cidade, 11 deles não possuem conjuntos ópticos, como flash e câmeras. Nesses locais existem apenas postes, denominados ‘espantalhos’ do trânsito.

Apesar dos radares funcionarem em esquema de rodízio, a instalação de conjuntos ópticos em todos os radares impossibilitaria o motorista de saber qual está ou não em operação.

Outro problema foi diagnosticado na quadra 17 da avenida Nações Unidas, lado par, sentido centro-bairro. O radar ali situado não registra a velocidade daqueles que trafegam pela terceira pista. No local, a locadora dos equipamentos opera com duas câmeras e dois flashes para uma via com três faixas de trânsito.

Mais uma falha ocorre com o registro de velocidade em radares e lombadas. Isso porque a área de sensores, chamada de laços e instaladas em material de cobre no asfalto, abrange não mais que 70 centímetros em cada faixa. Assim, as motocicletas não sejam registradas em bem mais da metade da área útil da pista. Paralelo a essa questão, o registro de velocidade não ocorre quando os pneus dos carros tocam, ao mesmo tempo, os laços das duas faixas da pista. Além disso, em vários pontos da cidade os laços estão expostos na pista e os cordões de proteção soltos.

A questão provocou reação da Câmara Municipal de Bauru. As falhas no sistema de trânsito motivaram os vereadores, inclusive da Comissão de Obras, Serviços Públicos, Habitação e Transportes, a discutir a necessidade de convocar a Emdurb para tratar do sistema viário do município em audiência pública.

Sem mudança

A única manifestação da Emdurb com relação aos radares e lombadas eletrônicas ocorreu no dia da publicação da reportagem (quarta-feira).

Segundo a empresa informou, os equipamentos e o sistema de medição eletrônico de velocidade em Bauru são inspecionados pelo Instituto de Pesos e Medidas (Ipem). Por esse motivo, as alterações de formatos de laços no piso e todas as trocas de equipamentos em função do rodízio precisam passar obrigatoriamente pela avaliação do órgão.

Sobre os laços de cobre expostos na pista e os cordões de proteção soltos, o presidente da Emdurb prometeu verificar a situação e corrigi-los.

Quanto às falhas e incongruências levantadas, Barbieri considerou que as questões não geram a necessidade de intervenção e defendeu o fim do rodízio e considera que o mecanismo mais eficiente é o que permite o funcionamento 24 horas de todos os pontos de fiscalização.

“Não tem nada de ilegal. Os equipamentos estão dentro das normas legais e homologados e eu não vejo ilegalidades”, disse ele. “O rodízio é falho, mas foi feito assim desde o início. Eu defendo funcionar em todos os pontos. O que foi levantado não gera problemas na fiscalização. Não vou mudar nada”.

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