Polícia

Nanotecnologia é arma contra furto

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

Um sistema baseado na nanotecnologia, proveniente da Austrália, que facilita a localização de veículos furtados, está disponível em Bauru. A Mapfre Seguros lançou ontem na cidade o sistema conhecido como DataDot, que permite a marcação do veículo em até três mil pontos diferentes, incluindo carroceria, motor, suspensão, entre outros. Se o veículo for furtado, ficará mais fácil identificar as peças, mesmo após o carro ser desmontado.

Denominado pela Mapfre de “vacina” anti-furto, a tecnologia consiste na gravação das peças com micro-partículas de poliéster (aplicadas por spray). A gravação contém diversas informações sobre o veículo e suas características, tais como o número do chassi ou outros dados relevantes para sua identificação pela polícia.

A “vacina”, que leva apenas cinco minutos para ser aplicada, é invisível a olho nu e, ao contrário de outros sistemas de registro, grava os dados em todas as peças do carro, dificultando o comércio nos desmanches ilegais, já que permite à polícia identificar sua procedência. As informações registradas só podem ser identificadas com o auxílio de uma lupa e na presença de uma lâmpada especial de luz negra.

Segundo o diretor territorial da Mapfre em Bauru, Lourivaldo Batista, o DataDot é pioneiro no Brasil e, além de São Paulo, apenas Bauru recebeu a tecnologia para ser instalada nos veículos dos segurados da empresa. “A partir de segunda-feira quem vier fazer a vistoria terá o DataDot instalado no veículo gratuitamente”, frisou.

Batista destacou que o sistema é distribuído em todas as peças do veículo. As micro-partículas só podem ser vistas através de uma luz negra e nos pontos “impressos” no carro estará um número de série que é único. “Esse número identifica o chassi do veículo. Então, mesmo depois de o veículo ser desmanchado, passando a luz negra a partícula vai brilhar e com uma lupa especial se identifica o número. Depois é só puxar no computador, já sabe de qual veículo é, quem é o dono, etc”, explicou.

O diretor da Mapfre destacou que, mesmo que o carro seja roubado e os ladrões consigam uma luz negra para identificar os pontos será difícil retirá-los, já que serão instalados em 3 mil locais diferentes. Um detalhe importante é que, se houver pontos aplicados na lataria, não há risco deles serem eliminados, caso o veículo sofra nova pintura. “Quando a gente coloca no carro, não será do lado de fora, vai ser nas peças, no motor, sob o capô. É importante dizer que o sistema não vai impedir que o veículo seja roubado, mas tendo o selo identificador, o ladrão vai pensar duas vezes, porque qualquer peça poderá ser identificada”, salientou.

A princípio o sistema será instalado apenas nos veículos de novos segurados da empresa, que forem fazer a vistoria. A idéia é ampliar para todos os segurados, posteriormente, e depois, atingir todos os veículos clientes da Mapfre não só em Bauru e São Paulo, mas nas demais unidades da empresa. De acordo com Batista, já há negociações com as montadoras para que os veículos saiam da fábrica com o DataDot instalado.

Para o superintendente de novas tecnologias da Mapfre, o diferencial do DataDot é que vai coibir a comercialização de peças de veículos roubados. Ele frisou que, se a polícia tiver suspeita de algum comércio de peças roubadas poderá identificar com a “vacina” anti-furto. Além disso, será possível identificar veículos brasileiros que são enviados a outros países. “Vamos supor que o carro seja levado para o Paraguai. A polícia descobre, verifica se há o DataDot e consegue descobrir os dados do carro e de seu proprietário.

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Auxílio

A Mapfre de Bauru destinou 30 kits da vacina anti-furto para as polícias Militar, Civil e Rodoviária. Segundo Lourivaldo Batista, a intenção é colaborar com o trabalho das polícias. “Vou entregar 10 para a PM, que têm 10 viaturas participando da operação desmanche, cinco para a Civil, que costuma acompanhar a Militar nesse trabalho, e 15 para a Rodoviária, por enquanto, para colocar nos postos mais próximos. Depois devo trazer mais desses para distribuir em toda a região para a Polícia Rodoviária”, destacou.

O comandante do 4o Batalhão de Polícia Militar do Interior (4o BPMI), tenente-coronel José Humberto Nardo, ressaltou que tudo o que é feito para preservar o patrimônio é interessante. Segundo ele, nos casos de furto e roubo, o ladrão vai sempre procurar o que é mais fácil, então, tudo o que for feito para dificultar a ação dos ladrões é bem vindo.

“Esse é um sistema novo e nós esperamos que contribua com a diminuição do furto e roubo de veículos. Se houver dificuldade para comercializar essas peças, também vai inibir a ação dos ladrões e deixar a comunidade mais tranqüila”, disse.

Para o soldado Elauro Sérgio Mazini, do Policiamento Rodoviário, o sistema visa melhorar o trabalho da polícia, com relação a roubo e furto de veículos, sendo mais fácil identificar o produto de roubo. “A tecnologia aplicada no veículo facilita que o policial, com o equipamento específico, veja que existe essa identificação. E vai dificultar um pouco a vida de quem mexe com desmanche”, salientou.

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