Viver às margens, na maioria das vezes, lembra exclusão. Mas essa definição não se aplica a quem construiu sua moradia próximo de uma rodovia. Na verdade, a formação de bairros inteiros à beira dessas importantes vias de acesso a cidade mostra que Bauru cresceu, expandiu e fez justiça a um de seus slogans mais conhecidos: ‘Cidade sem limites’.
Cinco rodovias, quatro delas administradas pelo Estado, cortam ou margeiam a cidade. Bairros inteiros surgiram e se expandiram às margens delas. Diversas construções, casas onde moram famílias inteiras, às vezes ficam a pouco mais de 50 metros da pista de rolamento.
Somente em Bauru, centenas de pessoas vivem dessa maneira e, ao abrirem suas janelas, se deparam todo dia com uma paisagem diferente; não imaginada nem mesmo por pintores famosos de que temos conhecimento. Quem reside, por exemplo, no início da Vila São Paulo, região norte de Bauru, ao sair na janela ou na porta de casa tem uma visão “privilegiada” do movimento de uma das rodovias de maior fluxo de veículos da região.
Conhecida como Bauru-Iacanga, a rodovia Cezário José de Castilho, SP-321, recentemente ganhou mais um apelido nenhum um pouco carinhoso: “rodovia da morte”. Isso porque, desde o início de setembro de 2007 até agora, oito pessoas perderam a vida em acidentes naquele local e mais oito tiveram ferimentos graves em nove outros acidentes.
São três quilômetros de trecho urbano na rodovia. Como existem bairros populosos dos dois lados da pista, moradores se arriscam ao atravessar a via de rolamento. No local, existe apenas um trevo de acesso para a Vila São Paulo e Quinta da Bela Olinda e outro para o Colina Verde. Para ter acesso aos demais bairros e encurtar a distância ao Jardim Pagani, Núcleo Nova Bauru e Jardim Ivone, os motoristas criaram “alternativas clandestinas”, que, além de irregulares, são compartilhadas por pedestres e ciclistas.
Outro caso parecido com o da SP-321 é o da Bauru-Ipaussu. A rodovia João Batista Cabral Rennó (SP-225) também tem pista simples e freqüentemente se torna palco de acidentes graves, geralmente com vítimas graves e fatais.
Do início de agosto do ano passado até agora, somente no trecho entre Piratinga e Bauru, foram nove acidentes no total, com seis mortes e mais dez vítimas graves. Além de problemas como a existência de pista simples, movimento intenso, grande fluxo de caminhões e a falta de acostamentos em vários trechos, a precária sinalização também complica a situação de motoristas e moradores que a utilizam.
Moradores do condomínio Residencial Lago-Sul e das chácaras situadas nas adjacências, enviaram para o JC recentemente um documento enumerando os problemas e pedindo soluções. o Residencial Lago-Sul, que conta com 54 residências e mais de 50 em construção. O acesso para o local também é precário, já que o morador precisa cruzar a pista enquanto faz o trevo de acesso.
A Bauru-Ipaussu é administrada pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER), órgão do Governo do Estado de São Paulo, mas deverá passar por um processo de concessão e posteriormente será duplicada. Já para a rodovia Cezário José de Castilho, SP-321, também sob responsabilidade do órgão, o futuro não reservas obras grandiosas, apenas medidas paliativas, como as que têm sido feitas nos últimos meses para tentar frear o número de acidentes no local.
Dois trechos da rodovia João Ribeiro de Barros quer margeiam Bauru são duplicados, mas nem por isso deixam de ser palcos de acidentes. A Bauru-Jaú, SP-225, é administrada pela Concessionária Centrovias, e a Bauru-Marília, SP-294, pelo DER. A quinta a rodovia de acesso a Bauru, a Marechal Cândido Rondon (SP-300), que corta a cidade, está em processo de privatização.