Crescimento econômico e interiorização foram as tônicas da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) capitaneado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira passada, no Palácio do Planalto, em Brasília. Com a presença de boa parte da força do empresariado brasileiro, Lula afirmou que o País terá, em 2010, taxa de investimentos cravada em 21% do total do PIB. Em 1995 o percentual era de 18,3%.
A projeção baseada em dados do BNDES prevê para o ano que vem 19,6% de investimentos do total do PIB, contra 18,6 em 2008. A expectativa do governo pode animar o empresariado, principalmente da indústria e dos serviços. Segundo o governo federal, os investimentos no período de 2004 a 2011 terão acréscimo de 99,5%. Entre 2004 e 2007 foram investidos R$ 314,3 bilhões, e a previsão para o período 2008/2011 é de R$ 627,1 bilhões. Segundo o governo, os investimentos para setores dinâmicos da economia vão atingir R$ 1,5 trilhão entre 2004 e 2011.
O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, também é otimista, porém alerta para a desnecessidade de aumento dos impostos. “Desde que nós dizíamos no ano passado, quando lutamos contra a recriação da CPMF, prevíamos para esse ano um grande aumento de arrecadação, o que aconteceu, prevíamos que não haveria necessidade de ter mais uma contribuição que arrecadaria R$ 40 bilhões (CPMF) só esse ano. Então tudo isso se mostrou realidade”, disse Skaf.
Para ele, o País ainda vive o problema do acúmulo de impostos. “O que nós precisamos realmente é começarmos a raciocinar em termos de superávit nominal. Acho que esse é o primeiro ponto. Segundo, qualquer questão que você tenha aumento de superávit primário, na mão da redução dos gastos tudo bem, o que não pode é ter aumento de superávit através de aumento de arrecadação, através de aumento de impostos”.
Interior
Como parte dos projetos para levar a economia ao Interior do País, o governo citou casos da siderurgia, como a Votorantim, no município de Barra Mansa, Litoral Fluminense, da ordem de R$ 1,2 bilhão; a nova usina do Ceará com R$ 8 bilhões.
O Interior de São Paulo entrou nos projetos petroquímicos, com investimentos de R$ 1,2 bilhão na PQU – Petroquímica União; na indústria automobilística a Wolksvagem, com R$ 4,3 bilhões em investimentos para novos produtos em Taubaté e São José dos Campos; a Ford com R$ 3,1 bilhões em Taubaté e São Bernardo do Campo e a Toyota com R$ 1,2 bilhão na construção de uma nova fábrica em Sorocaba.
Na indústria de alimentos e bebidas, a estimativa é que sejam investidos R$ 19,8 bilhões. Para o Interior de São Paulo foram destacados projetos como da Louis Dreyfus, com R$ 565 milhões para a construção do terminal no porto de Santos e ampliação da capacidade produtiva; e também a CHEIL Jedang Corporation, com R$ 810 milhões para a construção de fábrica em Piracicaba. Em termos de rodovia o destaque para São Paulo foi quanto ao Rodoanel trecho Sul, com 62 quilômetros e previsão de investimentos de R$ 3,8 bilhões, sendo que R$ 1,2 bilhão estão previstos no Orçamento Geral da União.
Em ferrovias, o Estado deve receber investimentos de R$ 528 milhões para o Ferroanel Norte, com 66 quilômetros de trilhos. A expectativa maior para os paulistas, no entanto, é para o projeto do trem de alta velocidade. Segundo a Casa Civil, a primeira etapa deve entrar em operação em 2014, com leilão previsto para fevereiro de 2009. Os investimentos calculados em dólar serão de US$ 11 bilhões, atingindo as cidades de Taubaté, região metropolitana de Campinas, de São José dos Campos e Grande São Paulo, ligando até a região metropolitana do Rio de Janeiro, Resende e Volta Redonda.
Com os problemas do governo boliviano, o Brasil deve tentar caminhar para a independência do gás natural. Os investimentos para São Paulo estão previstos para a região de Paulínia-Jacutinga, com 93 quilômetros de extensão e previsão de gastos de R$ 200 milhões; Gaspal II com 60 quilômetros e R$ 100 milhões, e por fim, Caraguatatuba - Taubaté, com 96 quilômetros e R$ 380 milhões.
O saneamento básico, que vem sendo contemplado com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), dirigido pelo Secretário Nacional de Saneamento Ambiental, o engenheiro Leodegar Tiscoski, deve aportar investimentos para São Paulo de R$ 869 milhões em Billings e Guarapiranga e R$ 885 milhões na região metropolitana da Baixada Santista.