Saint Paul - A Convenção Republicana que deve designar oficialmente John McCain como candidato à Casa Branca começou ontem em Saint Paul (Minnesota, norte dos EUA) com a execução do hino dos Estados Unidos.
Este primeiro dia deve ser dedicado essencialmente à resolução de questões secundárias, já que a programação foi perturbada pela chegada do furacão Gustav à costa sul dos Estados Unidos.
Sem poder falar de política partidária-eleitoral para evitar constrangimentos pelos efeitos do furacão Gustav, o candidato republicano a presidente dos EUA, John McCain, transformou sua agenda nos últimos dois dias numa pregação por solidariedade às pessoas atingidas. Viajou para a região da tragédia e fez apelos para que os americanos ajudem as vítimas.
O candidato já esteve nos Estados de Mississipi e Ohio, onde visitou centros de apoio às vitimas. Ontem, em Toledo (Ohio), cumprimentou voluntários que empacotavam suprimentos a serem enviados para as regiões atingidas. Posou para fotos e soltou várias frase de efeito, sempre tentando vender a imagem de líder e estadista.
“Isto (o trabalho voluntário) sintetiza os milhões de americanos que estão servindo causas maiores do que os seus próprios interesses e estão colocando o seu país em primeiro lugar.” Usou o mesmo lema de sua convenção, em St. Paul, “Country First’’ (em português, “o país primeiro lugar’’).
A frase está espalhada em cartazes por todo o Ginásio Excel Energy Center, onde ocorre o encontro. Ao usar esse mote para ocupar a mídia falando do furacão Gustav, McCain tenta compensar a suspensão dos discursos políticos e a repercussão de uma outra notícia com potencial negativo para uma parte conservadora do eleitorado: a de que uma filha solteira de 17 anos de sua candidata a vice, Sarah Palin, está grávida.
A convenção republicana ontem foi quase monotemática, sempre tratando de enviar sinais de que o partido está pensando nas vítimas do furacão Gustav e em como ajudá-las. Logo na abertura oficial, o presidente da sigla, Robert “Mike” Duncan, fez um apelo a todos os cerca de 2.000 delegados presentes.
Distância de Bush
Até agora, não está claro qual será o efeito exato da suspensão parcial dos trabalhos da convenção republicana sobre a candidatura de McCain. Ele perdeu muitas horas de exposição gratuita nas TVs por causa do desastre climático. Mas também se livrou ontem de dois discursos constrangedores que estavam programados para a parte da noite: o do presidente George W. Bush e o do vice, Dick Cheney, programados para ontem e cancelados.
O problema para McCain é que ainda há uma chance de os dois aparecerem em St. Paul até o final da convenção, na quinta. A Casa Branca disse ontem ser “possível’’ que Bush ainda compareça. Há também a possibilidade de essa participação ocorrer no formato de um depoimento gravado ou transmitido ao vivo para St. Paul. Seria em qualquer hipótese um pequeno revés para McCain. Ao ter programado Bush para o primeiro dia, a idéia era distanciar ao máximo o candidato do presidente, uma vez que o discurso de aceitação da candidatura é sempre no último dia.
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Polícia prende sete em passeata contra guerra
Saint Paul - Ao menos sete manifestantes foram presos ontem perto do Xcel Energy Center, sede da Convenção Republicana. O número foi divulgado pela polícia local, que usou spray de pimenta e bombas de efeito moral para conter a passeata contra a Guerra do Iraque, que atraiu 8.000 pessoas.
No confronto, alguns jovens atiraram garrafas de vidro nos policiais, que estavam em motocicletas, cavalos e a pé. Segundo a polícia, eles deverão ser processados por danos ao patrimônio público e conspiração em tumulto. A militância anti-Bush tem se mostrado forte em Saint Paul.
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Vice tem filha adolescente grávida
Saint Paul - Escolhida candidata a vice-presidente dos EUA na chapa do republicano John McCain muito por causa de suas credenciais conservadoras, Sarah Palin revelou ontem que uma de suas filhas, Bristol, 17 anos, está grávida, e suscitou dúvidas de como o eleitorado que ela visa atrair, em especial a direita cristã, reagirá à notícia.
Irá esse público criticar a família Palin por deixar acontecer sexo antes do casamento, ao contrário do que pregam o presidente George W. Bush e grande parte do partido? Ou elogiá-la, por levar adiante uma gravidez não planejada e ainda anunciar que a adolescente subirá ao altar?
Nos corredores do Xcel Energy Center, sede da Convenção Republicana, os fiéis delegados do partido se diziam defensores da segunda opção. “Sarah é muito conservadora e mostrou novamente que é uma mulher forte, de valores, que não permite a covardia do aborto e que orientou sua filha a se casar. O que a garota fez foi um erro, mas o papel da mãe é dar apoio’’, declarou Barbara Thorburn, do Texas.
Analistas consideravam, no entanto, que a repercussão poderia ser ruim longe da base mais engajada na candidatura de McCain, em especial o público mais conservador que já tem ressalvas sobre o discurso liberal em temas como imigração.