O candidato pela aliança ‘Bauru de todos’, Caio Coube (PSDB), criticou ontem, para uma platéia composta em sua maioria por engenheiros, arquitetos e agrônomos, o projeto do Plano Diretor Participativo (PD) aprovado pela Câmara Municipal de Bauru e defendeu negociação para a venda de parte da área onde está instalado o antigo aeroporto visando gerar recursos para infra-estrutura.
O tucano foi o primeiro dos candidatos a prefeito a abrir a série de seminários coordenada pela delegacia de Bauru do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (Seesp) com apoio do JC. Em tom mais crítico do que o habitual em suas intervenções durante a campanha até agora, o empresário chamou a atenção para a relação entre a baixíssima capacidade de investimentos pela prefeitura e as “bobagens” e erros do passado que geraram dívidas.
Sobre o projeto do PD, Caio considerou a lei aprovada e já sancionada pelo Executivo, com vetos a apenas quatro artigos, “polêmica, demasiadamente ampla e cuja discussão se dispersou, perdendo ao não pontuar questões técnicas e de interesse do planejamento da cidade”.
Ao ser indagado sobre o que faria para a área que margeia o aeroporto cravado na área urbana, sobretudo ao longo da avenida Getúlio Vargas, o candidato afirmou que defende a negociação para a venda daquilo que for de propriedade da Prefeitura. O tucano pontuou que esta é uma das poucas possibilidades disponíveis de levantar recursos em volume significativo para aplicação em infra-estrutura, sobretudo em asfalto na periferia.
“Há controvérsia sobre a titularidade da área e acho que o pior caminho para esta questão é o judicial. Acho que a importância da área merece um tratamento político direto pelo prefeito e uma ação administrativa para permitir que as partes sentem e negociem uma saída que contemple a cidade. Há muito componente emocional nisso, mas eu defendo gerar recursos para investimentos”, afirmou Caio.
O componente emocional não indicado pelo candidato a prefeito é a defesa do aeroclube do ponto de vista histórico, em detrimento à utilização de parte de uma gleba nobre, bastante valorizada: “é interessante ver esta área valorizada como alternativa para mudar a periferia de Bauru com recursos para infra-estrutura e é preciso negociar isso”, concluiu.
Diagnóstico crítico
Ao realizar seu diagnóstico sobre os problemas enfrentados pela cidade, o tucano não deixou de tocar em uma ferida antiga: o endividamento. “Bobagens feitas por outras administrações geraram enorme passivo que agora trazem uma drástica limitação de recursos. A população precisa discutir que não tem dinheiro para asfalto porque outras gestões fizeram bobagens. Agora nós vamos fazer um grande esforço para buscar recursos fora e ver alternativas urgentes, como licitar a folha de pagamento para atrair receitas novas”, elencou.
Caio classificou duas obras como “ícones negativos” da cidade: “Os principais ícones negativos dessa história em termos de obras são o Viaduto (1993) e os Lotes Urbanizados (1991). São obras que não dão resultado e ampliaram o endividamento. É preciso que essas bobagens não se repitam”, lançou.
Em se tratando de um seminário que discute intervenções urbanas e planejamento da cidade, Caio Coube também mencionou que o abandono de prédios públicos, de espaços não mais aproveitados, como do parque ferroviário, formam outros problemas urbanos. “O pátio ferroviário pode ser usado para um projeto de médio prazo para ocupação comercial e até viária. Não é para agora, mas é preciso pensar nisso e tentar mudar isso com a União”, sinalizou.
O tucano ainda pontuou questões de planejamento e de decisão política para delimitar erros do passado e indicar acertos de rota. “Para uma platéia de engenheiros, arquitetos e técnicos, além de especialistas, eu tenho de dizer que é ridículo o erro conceitual cometido na concepção de engenharia do Sambódromo, sem área de dispersão e com problemas de uso do espaço e deslocamento e com o estacionamento. Bauru precisa discutir o que houve de errado e pensar como resolver”, alfinetou.
Caio ainda defendeu intervenções como a ocupação dos galpões das oficinas da antiga ferrovia, do lado da Vila Falcão, para ser o futuro Centro Administrativo da prefeitura. “Tem um espaço muito amplo em vários galpões e com uma estrutura arquitetônica muito bonita. É preciso pensar, discutir isso e iniciar esses projetos”, finalizou.
O candidato tucano fez apresentação de questões urbanas e de engenharia por 40 minutos, seguido de comentário de mais 5 minutos pelo vice em sua chapa, José Clemente Rezende (DEM). Nas próximas segundas-feiras, Clodoaldo Gazzetta (PV), Rodrigo Agostinho (PMDB) e Rosa Izzo (PDT) participam do seminário.