Geral

Esquema pode ter beneficiado paciente da cidade que recorreu à ONG de Marília

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Pelo menos um paciente de Bauru recorreu à entidade de Marília para obter tratamento de alto custo a fim de curar psoríase. Por aqui, ele apenas receberia acompanhamento de um dermatologista consultado pela reportagem, que preferiu não se identificar por desconhecer detalhes da iniciativa do portador do problema de pele, interessado nos remédios.

“Ele está aguardando a chegada da medicação. Conseguiu via judicial. Não fui eu quem pediu, vou fazer apenas a administração. O pedido foi feito por Marília, onde existe uma associação”, reiterou. De acordo com o médico, seu paciente usou vários medicamentos, mas não obteve o resultado desejado.

“A psoríase pode ser grave. Pode ter um quadro discreto ou muito sério do ponto de vista da pele. Há um comprometimento muito grave na condição de vida da pessoa. Pode comprometer a pele toda, as mãos, os pés, o couro cabeludo. Pode tornar-se um problema social. A administração é dosada conforme o peso do paciente”, informou o dermatologista.

Segundo a Secretaria do Estado da Saúde, o esquema desbaratado pela operação “Garra Rufa” visava a liberação de três medicamentos. Um chama-se Raptiva (do laboraatório Serono), outro Remicade (Centocor) e o terceiro Enbrel (Boehringer). Numa farmácia consultada pela reportagem, o último pode ser encomendado de modo particular a um custo de R$ 7.057,46, na forma injetável.

Quatro comprimidos da mesma marca saem por R$ 3.528,74. Já os valores do Raptiva e do Remicade são, respectivamente, R$ 4.685,00 e R$ 3.668,00. Porém, na coletiva à imprensa, o valor informado dos remédios foi de R$ 800,00 a R$ 1.600,00. Já segundo o especialista consultado, o valor médio do tratamento varia entre R$ 7 mil a R$ 8 mil, mensais.

“A pessoa toma duas vezes por semana durante um tempo. Depois tem uma redução. Eles agem na imunidade”, acrescentou. Também provocariam vários efeitos colaterais, informou o delegado Fábio Alonso, responsável pelo inquérito instaurado pela Delegacia Seccional de Marília. De acordo com ele, o Remicade, por exemplo, só pode ser administrado dentro de uma unidade hospitalar, com acompanhamento dos sinais vitais.

Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), não há provas da participação dos responsáveis pelos laboratórios na fraude. As investigações indicam, segundo a polícia, um “conluio” entre dirigentes da associação, advogados, um médico especialista e representantes de três laboratórios.

____________________

Uso de algemas foi desnecessário

Os dois presos em Bauru foram despertados pela Polícia Civil (da própria cidade e de Marília) por volta das 6 horas da manhã de ontem. Conforme a reportagem apurou, não resistiram. Por essa razão, não foi necessário o uso de algemas. Os computadores pessoais do advogado Guilherme Goffi de Oliveira e do representante de laboratório farmacêutico Dalton Araújo Pereira foram apreendidos e serão submetidos à perícia.

Também para apreender computadores, os policiais estiveram no escritório de Oliveira. Segundo o delegado Alexandre Zakir, o advogado teria protocolizado mais de 50 ações em todo o Estado.

Os valores individuais que cada um teria recebido por participar do esquema ainda não foi apurado. Oliveira teria passado a noite numa cela da delegacia seccional de Marília. Já Pereira teria sido transferido para uma carceragem na região.

Ontem à tarde, a esposa dele tentava localizá-lo. Informou à reportagem desconhecer seu paradeiro e as razões que resultaram na prisão. Disse ainda ter acionado os advogados que conhecia. “Alguém vai ter que dar alguma explicação. Meu marido é um trabalhador comum. O acompanho todo dia. É mentira. Em ano de política acontece tudo”, comentou. Já a família de Oliveira informou que seus advogados procurariam o jornal, não contatado até o fechamento dessa edição.

Os dois foram presos temporariamente por cinco dias, período em que o delegado Fábio Alonso, pretende concluir o inquérito por ele presidido. De acordo com ele, as investigações começaram por Marília, considerada a ponta do iceberg. “Tem mais gente envolvida, em outras áreas do Estado. R$ 63 milhões é a fraude toda, não só essa”, destacou. Hoje, ele começa a ouvir os nove presos.

Comentários

Comentários