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Eleição majoritária municipal


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Com o início da campanha política municipal para a disputa pelos cargos majoritários de prefeito e vice-prefeito de Bauru algumas observações e especulações podem ser feitas para a campanha política.

Sendo realista e sem querer ser vidente, pode-se apostar que das seis candidaturas, apenas três possuem condições reais de vencer o pleito, enquanto as demais farão papel de coadjuvantes e de fiel da balança em outubro próximo.

Mas o que chama mais a atenção é o fato de que as três principais coligações darão continuidade à atual gestão.

A coligação PSDB/DEM tem como candidato a vice uma importante figura da gestão Tuga Angerami, enquanto o candidato a prefeito pela coligação PMDB/PT ocupou uma secretaria na atual administração e o candidato a vice na chapa do PDT também teve laços com a atual gestão.

Sem considerar que a chapa apresentada pelo PDT também é uma continuidade da atual administração. O principal articulador da candidata foi líder do governo Tuga na Câmara Municipal. Não podemos esquecer também que o atual prefeito foi eleito pelo próprio PDT.

Das três outras chapas, a do PSOL/PSTU e a do PV irão desempenhar o papel que sempre desempenharam muito bem, o de serem propositores de boas idéias e de bons debates, só que com poucas chances de vitória. Já a candidatura do PHS mais parece uma tentativa dos pretendentes a uma vaga no legislativo em 2012.

A campanha, desde modo, tem um ingrediente no mínimo curioso. A exceção das candidaturas do PSOL/PSTU e PHS, nenhuma das outras três pode atacar a atual gestão, pois participaram dela.

Não se está aqui apresentando uma crítica a atual gestão. Está se fazendo apenas uma colocação do que parece ser um lugar comum na política bauruense, de que a atual administração não decolou. Como então pode um governo tão ruim, seguindo essa visão comum, ter continuidade, como de fato se dará?

Talvez o maior vencedor da próxima eleição seja o atual prefeito municipal, que conseguiu trazer a paz para a política bauruense (esse era um argumento bastante usado pelo candidato Tuga em 2004), ou pelo menos para ele mesmo, pois a sua administração não poderá ser atacada nos palanques, nos debates e no horário eleitoral pelas principais coligações, como de fato não está sendo. Diga-se de passagem, nenhuma das três principais coligações ataca diretamente a atual gestão, todas elas apenas apontam mudanças. Mudança, contudo, com continuidade.

Fato que intriga é verificar o porquê de tamanha rejeição à atual administração. Por que será que o único prefeito de Bauru que, nos últimos vinte anos, teve coragem política para aumentar a tributação municipal e, em conseqüência, aumentar a arrecadação (em 2005 era de R$ 120 milhões, em 2008 passou para R$ 290 milhões) e que colocou em prática o tratamento de esgoto (mesmo que o custo seja suportado pela população), só para citar duas importantes ações do governo Tuga, é tão criticado? E como pode um prefeito tão ruim (repita-se, na visão comum dos bauruenses), dar continuidade a sua gestão, mesmo que indiretamente?

O fato é que com isso a campanha desse ano está diferente das anteriores. A atual gestão não está sendo questionada pelas principais coligações, pois qualquer crítica à administração Tuga será um tiro no pé de cada uma das chapas.

A população bauruense ganha com isso, pois a campanha está mais baseada em propostas do que em críticas ao atual governo. E ganha também o cidadão Tuga Angerami que terá a sua imagem, sempre muito respeitada, preservada.

O autor, Carlo José Napolitano, é advogado, professor no Iesb/Preve, mestre em direito constitucional e doutorando em sociologia na Unesp de Araraquara, e-mail: carlonapolitano@travelnet.com.br

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