Política

‘Politicando’ completa quatro anos

Alcir Zago
| Tempo de leitura: 3 min

Idealizada nas eleições municipais de 2004, a coluna Politicando, do JC, está completando quatro anos. Nesse tempo, contou com a colaboração de inúmeras pessoas no registro de fatos pitorescos da história local, nacional e até internacional.

O que era para ser uma proposta focada no período do pleito municipal de quatro anos atrás acabou se tornando uma coluna fixa. O fato é que os leitores gostaram da novidade e solicitaram à direção do JC a continuidade dos registros.

Os fatos narrados pelos colaboradores do jornal representam uma forma de descontrair a cobertura política, mostrando que esse segmento é rico também em folclore e não se faz apenas de sisudez.

Três grandes colaboradores da Politicando concordam. O médico Rui Bertoti perdeu as contas de quantas notas já encaminhou à redação. Segundo ele, na última estatística havia contabilizado 540 textos.

Apaixonado pela leitura e dono de uma memória privilegiada, Bertoti diz que logo que a coluna passou a fazer parte do dia-a-dia do JC resolveu participar como colaborador. Lembra de notas escritas por políticos conhecidos, como o ex-governador Geraldo Alckmin, o pioneiro da coluna.

Outro assíduo colaborador é Cirso Mendes da Silveira, economista e professor do curso de comunicação social. Pelas suas contas, já encaminhou à redação cerca de 150 notas. Assim como Bertoti, Silveira lê muito, desde revistas até enciclopédias. Afirma que só cita o nome de alguma pessoa no texto quando pede autorização a ela.

Quem também alimenta a coluna do jornal com freqüência é o autônomo Antonio Pedroso Júnior. Tem muitas histórias para contar porque milita na política há quase 40 anos, primeiro no MDB, depois no PT e nos últimos 20 anos no PSB.

O médico ressalta que é um belo exercício para a memória sentar-se para escrever o texto. Se não se recorda direito dos personagens, esforça-se para que o fato seja fielmente retratado. “Chego a lembrar até mesmo da entonação das pessoas”, diz e completa que 90% do material que escreve é realidade.

Bertoti atribui o sucesso da Politicando ao fato de estimular nos leitores o exercício da memória em relação a fatos do passado. Ele elogia a iniciativa do JC por abrir espaço para esse tipo de nota e ressalta que o jornal está acompanhando tendência mundial em relação a tiradas políticas.

O economista comenta que quando uma nota de seu punho é publicada a repercussão é muito grande, principalmente com os amigos. Diagnostica também que, por conta da publicação da Politicando, as mulheres passaram a acompanhar mais as páginas de política.

Pedroso costuma abordar curiosidades e notícias folclóricas ambientadas em botecos. De acordo com o autônomo, é um dos lugares onde mais acontecem as boas histórias.

O militante afirma que os donos dos botequins ficam tão contentes que recortam a nota do JC e colam na parede do estabelecimento. Segundo ele, apesar de a nota ter o formato folclórico, tem proposta didática de ensinar e consertar erros.

Alckmin inaugura

O primeiro a escrever para a coluna Politicando foi o ex-governador Geraldo Alckmin. No início de setembro de 2004, em visita ao JC, ela narrou histórias engraçadas sobre política. Uma delas, contada no Café com Política, onde foi recepcionado pelo presidente dos Grupos Prata e Cidade, Alcides Franciscato, estreou a coluna.

O título da nota é “Em Pindamonhangaba”, terra natal de Alckmin. Segundo ele, em 1976, quando tinha 28 anos, concorreu à prefeitura daquela cidade. Lembrou-se que ainda não era careca.

Relatou que na época visitou uma fábrica de papel, chamada Curucutuba. Numa das casas do local, contou o candidato, tentou explicar seu plano de governo a uma senhora que dava atenção para ele e também para as crianças, para o cachorro, gato, papagaio etc.

Alckmin finalizou a história: “Meia hora depois, a senhora virou e falou: ‘Olha doutor, o senhor me convenceu. Eu vou votar no senhor’. Aí, eu já estava saindo, quando ela virou e falou: ‘Olha, só falta o dinheiro do ônibus’. Aí, eu falei, mas como o dinheiro do ônibus? A escola é aqui em frente. É só andar dois quarteirões. Então, ela disse: ‘Não, não. É que eu voto em Itajubá, em Minas Gerais.’”

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