Pederneiras - Uma explosão seguida de muita poeira e uma nuvem de pedras surpreendeu e feriu moradores da cidade de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) ontem. A cena indescritível marcará aqueles que assistiram estarrecidos pedras voando e destruindo casas, carros e ferindo pessoas, num total de 28 imóveis e dois feridos.
O lançamento das pedras partiu da pedreira Nova Fortaleza, do Grupo Alvarez. A empresa apura as causas daquilo que classificou como acidente e promete ressarcir os lesados. As moradias mais atingidas estão localizadas na rua Padre Nicolau Scorachio e nove de julho.
Para a cozinheira Aparecida Volpe Arena, o dia de ontem ficará marcado. “Eu e meu filho não morremos porque Deus não quis. Nós estávamos na cozinha quando uma pedra enorme bateu no telhado, quebrou o madeiramento e calha e entrou na cozinha.”
A mulher que acabara de preparar o almoço para o filho e para alguns clientes, não viu mais nada. “A cozinha ficou uma nuvem de poeira. Meu filho desesperado pensando que eu tinha sido ferida e eu pensando que ele tinha sido ferido. Fiquei em pânico. Ele se machucou. Eu pensei que fosse o fim do mundo.”
Luiz Francisco Arena levou 11 pontos nos ferimentos da cabeça, orelha e ombro. “Pensei que tivesse caído um avião e pensei na minha mãe que estava muito perto de mim. Tentei segurar o madeiramento da construção, o que me feriu o ombro.”
Da cozinha de Aparecida Arena não sobrou quase nada, só o fogão não sofreu danos. Toda a comida foi para o lixo e muitos alimentos que iriam ser preparados também tiveram que ser inutilizados. “Eu tinha feito compras de frango.”
Para o comerciante João Nogueira, a explosão foi séria. “Eu fiquei paralisado. Não sabia o que fazer. Pensei nos carros que estavam aqui no posto de combustível e avaliei que as pedras tinhas atingido um deles. Por sorte não atingiu, mas danificou o telhado do lavador, da troca de óleo e do depósito.”
Ele conta que a nuvem de poeira não permitiu enxergar muita coisa. “Todo mundo saiu correndo e parecia que era uma guerra.”
A dona de casa Maria Inês Molina Stábile estava em casa com mãe e pensou que o mundo estava no fim. “Explosão, poeira e susto. As pedras atingiram a janela da sala e uma delas entrou no quarto de meu filho, furando a parede. Ficou alojada nos fundos do guarda-roupa que estava encostado na parede.”
Vinícius Stábile, filho dela, disse que trabalha há uns 300 metros da casa e logo que ouviu a explosão correu para casa. “A pedra estragou a parede e o meu guarda-roupa, por pouco não atingiu meu computador. Na sala teria atingido minha avó que sempre fica sentada no sofá após o almoço. Por sorte, ela estava na cozinha.”
As pedras em alta velocidade atingiram uma caixa d’água na casa de Cristina Stábile. “A pedra entrou pelo telhado e quebrou a caixa. A água jorrou no meio do meu quarto.”
A mulher diz que teve medo porque não sabia o que estava acontecendo.
“São constantes as explosões, mas hoje foi demais. Há dias em que sinto a casa tremer. Espero que as autoridades façam alguma coisa a nosso favor e que a pedreira pague os danos.”
‘O Iraque é aqui’
“Pensei que estivesse no Iraque”, foi assim que o morador Célio Leme do Prado se manifestou a respeito da explosão que atingiu sua casa em dois pontos.
“O quarto que eu guardo ferramentas foi atingido por uma pedra que vazou do outro lado, atingindo a casa da Maria Inês Stábile. A outra pedra danificou o telhado da cozinha. Eu e minha mulher ficamos apavorados.
Para ele, houve um tremor. “Minha casa tremeu e em seguida veio explosão, poeira e pedras voaram.”
Na residência de Ana Maria Chuichman, 85 anos, os estragos foram grandes. As pedras atingiram a cozinha e arrancaram a porta, destruíram cadeiras, mesas e danificaram a geladeira.
“Eu tinha ido deitar após o almoço e ouviu uma explosão. Foi Deus que me salvou.”
O filho dela, Ariovaldo Chichman, acredita que houve erro na pedreira e que por pouco sua mãe não foi atingida. “Minha mãe estava sozinha e ficou muito assustada. Vou levá-la para minha casa.”