Estou triste essa semana. Especialmente triste, pois minha geração perdeu mais uma referência - a Dona Nair. Era assim que a gente a chamava. Nossa querida professora de inglês e “figura” dos anos 70 no Ernesto Monte. Querida, pois seu papel de mãe foi fundamental em uma época em que num colégio do Estado, os alunos eram de várias classes sociais, e era justamente aí onde Dona Nair pegava pesado, o que contribuiu certamente para uma melhor formação de seus alunos. Duas aulas semanais eram suficientes para ensinar a matéria e para suas lições básicas de higiene, onde Dona Nair passava revista nas unhas, nos ouvidos, nos cabelos e até nos sapatos.
Agora venhamos e convenhamos: isso é papel de mãe, é carinho que na época não reconhecíamos. “Figura”, pois quando solicitava que ficássemos quietos e prestássemos atenção, pedia primeiro sempre com muito respeito e educação, nos chamando pelo nome, depois éramos alertados com um giz, e finalmente na terceira vez voavaum apagador em nossa direção. Isso mesmo um apagador. Graças a Deus o mundo não era ridículo e cheio de condutas politicamente corretas, pois nos dias de hoje já teríamos algum chato de plantão dizendo isso ou aquilo e tentando inibir toda autenticidade de Dona Nair.
Caio Vannini - ex aluno - RG 8.544.622