Polícia

Negociação de hoje é decisiva para paralisação da Polícia Civil

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Será realizado na tarde de hoje uma reunião no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na Capital, para tentar um acordo entre Governo do Estado e policiais civis. Para os sindicatos e associações da categoria, esta é a última oportunidade de conciliação. Caso não haja acordo, os policiais entrarão em greve.

Segundo o Sindicato dos Investigadores da Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp), dois ônibus com policiais de Bauru e cidades adjacentes deverão sair no final desta madrugada da frente do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter) 4, com destino à Capital.

De toda a região a expectativa é de mais seis ônibus. De acordo com o sindicato, são policiais que estão de folga, aposentados e em férias, e, por esse motivo, o trabalho não deverá ser afetado.

Márcio Cunha, delegado regional do Sipesp, disse que a expectativa é chegar à Capital em comboio, por volta das 9h30. Na sede da entidade, no Centro de São Paulo haverá uma assembléia. Na seqüência, os policiais deverão seguir até a sede do TRT, no bairro Consolação, onde aguardarão a decisão do tribunal.

Às 11h30 está prevista manifestação do Ministério Público do Trabalho e, em seguida, será esperada a sentença da desembargadora vice-presidente judicial Regimental Dora Vaz Treviño. A audiência envolve a Procuradoria-Geral do Estado e o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo e demais entidades representativas.

Cunha não está otimista quanto a uma proposta do Estado. “Amanhã (hoje) é o fim do dissídio. Já se foram mais de cinco reuniões com o Governo sem que eles apresentassem nada”, lamenta. Caso não haja conciliação, a classe deve retomar a greve. “Faremos uma assembléia na hora e ela é soberana. Caso seja decidido, é greve na hora. Só o tempo de articular as bases”, observa o dirigente.

No dia 13 de agosto, os policiais iniciaram a paralização às 9h. Deixaram de registrar boletins de ocorrência de perda e extravio de documentos, acidentes de trânsito com vítima leve, colisões para fins de seguro e outros não criminais.

Às 18h, com a decisão da reivindicação ir a dissídio, os policiais retomaram o trabalho normal. Porém, ainda em estado de greve. Foi adotada uma operação padrão, na qual cada policial desempenha especificamente sua função, que ainda é seguida.

Os policiais realizaram uma passeata no Calçadão da Batista de Carvalho no dia 23 de agosto e estão trabalhando vestindo coletes ou utilizando adesivos com dizeres sobre a mobilização.

Reivindicações

Com o salário inicial mais baixo entre todos os Estados, os policiais civis de São Paulo pedem aumento de cerca de 60% em seus rendimentos, o que garantiria para todos a reposição salarial. Também está sendo solicitada a incorporação das gratificações com base no que recebem os policiais da Capital.

Além disso, demandam a reestruturação da carreira, aposentadoria especial e a exigência de nível superior para escrivães e investigadores.

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