Rural

Dia de Campo discute ovinocultura

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

A produção de ovinos está crescendo em ritmo acelerado em todo o Estado de São Paulo. Em Bauru, o Núcleo de Ovinocultores de Bauru e Região (Nobre) tem acompanhado esta evolução com um trabalho dedicado à qualidade dos criatórios e, conseqüentemente, da carne colocada no mercado. Visando justamente o crescimento com qualidade, o Nobre promove amanhã, em Bauru, o 2.º Dia de Campo sobre criação de ovinos em parceria com o Sindicato Rural de Bauru e Região, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e Sebrae-SP. O evento será realizado no Recinto Mello Moraes.

Segundo o diretor técnico do Nobre, Miguel Haddad, o evento tem como objetivo passar orientações sobre todos os processos pelos quais passa a criação de ovinos. O ciclo de palestras começará às 8h e o evento será encerrado com um almoço no local.

O primeiro tema abordado será “Perspectivas do mercado da carne ovina”. Na seqüência, a palestra será sobre “Manejo nutricional - pré-estação de monta”, seguida pelos temas “Como melhorar a eficiência reprodutiva do rebanho”, “Diagnóstico de gestação”, “Manejo sanitário e nutricional no 1/3 final da gestação” e “Cuidados com o neonato”.

Segundo Haddad, em apenas quatro anos de atividades, o Nobre já reúne criadores de 28 propriedades com aproximadamente 5 mil matrizes - sendo a maioria da raça santa inês (que não tem lã). Mas diante de toda a carne de cordeiro consumida no Estado de São Paulo, é pequeno o percentual de produção nacional. Para atender a demanda - que aumenta rapidamente -, é preciso importar carne de países como Uruguai e Nova Zelândia.

Manejo

O Nobre trabalha com compra e venda em conjunto para a padronização do animal. Atualmente o mercado exige cordeiros com peso vivo de 30 a 40 quilos, mas para obter carne de qualidade, é necessária uma série de cuidados.

“Nós estamos aproveitando a logística privilegiada de Bauru para promover este evento, porque é importante divulgar informações sobre o manejo correto desses animais neste momento de expansão da ovinocultura no Estado de São Paulo”, observa o presidente do Sindicato Rural de Bauru e Região e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde.

Miguel Haddad destaca que a ovinocultura possibilita rendimento acima da média em relação a outras criações e que não é necessário ter grandes áreas para a criação dos animais.

“É uma atividade bem remuneradora e não exige grandes propriedades para criar os animais. No espaço de um hectare (10 mil m2) é possível criar 50 ovelhas ao ano. Setenta ovelhas correspondem a uma área ocupada por dez vacas, por exemplo. Esse é um dos diferenciais da ovinocultura, porque possibilita, inclusive, a criação juntamente com outros animais, como bovinos. Os maiores mercados consumidores da carne são o Estado de São Paulo e o Nordeste do País. A demanda é crescente, então, o Dia de Campo é uma ótima oportunidade para buscar informações e melhorar o manejo nos criatórios”, ressalta o diretor técnico do Nobre.

Segundo Haddad, desta vez o Dia de Campo vai abordar também os cuidados que o criador deve ter antes do nascimento do cordeiro. “O mercado é comprador o ano inteiro para quem tem bons animais. Por isso, é importante a conscientização sobre os cuidados que se deve ter com os animais desde antes do seu nascimento para que isso resulte em carne de qualidade”, acrescenta.

Atualmente, o Estado de São Paulo ocupa a sétima posição em tamanho de rebanho no País, atrás do Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará, Piauí, Pernambuco e Paraná. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

• Serviço

As inscrições para o 2.º Dia de Campo sobre ovinocultura, realizado amanhã no Recinto Mello Moraes, podem ser feitas pelo telefone (14) 3226-3695 ou pelo e-mail srbauru@uol.com. br. Para participar será necessário entregar um pacote de fralda geriátrica, que serão doadas a instituições da cidade.

____________________

Local para abate

De acordo com o diretor técnico do Núcleo de Ovinocultores de Bauru e Região (Nobre), Miguel Haddad, o grande problema encontrado pelos criadores de ovinos em Bauru no momento é a falta de um frigorífico próximo para o abate de pequenos animais. Atualmente, o transporte tem que ser feito até um frigorífico instalado em São Manuel, a 69 quilômetros de Bauru.

“Essa distância aumenta os custos que os criadores têm, então, é muito importante nesse momento de expansão da ovinocultura na região, e em todo o Estado, que o poder público participe dessa luta”, diz Haddad.

Segundo Maurício Lima Verde, presidente da Faesp, há muitos anos chegou a ser homologado um frigorífico especializado em abate de pequenos animais em Tibiriçá.

“O secretário da Agricultura na época chegou até a liberar dinheiro para a obra, mas quando ele foi substituído no cargo, o projeto foi esquecido. Ter um local para abate mais próximo é fundamental para agilizar os resultados desse mercado”, destaca.

Comentários

Comentários