Polícia

Policiais civis decidem greve no dia 8

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A Polícia Civil deve voltar a restringir o atendimento à população a partir de segunda-feira, quando será realizada assembléia também em Bauru. Na oportunidade, a categoria provavelmente retomará a greve. Neste caso, somente terão andamento ocorrências consideradas urgentes e emergentes. A decisão virá em resposta ao litígio com o governo do Estado. As partes não entraram em acordo na audiência de conciliação realizada ontem, em São Paulo.

O dissídio vai a julgamento no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em duas semanas. “O governo continua não assinalando nada. Vamos endurecer a greve. Colocar limitação de urgência e emergência, mas acatando o que a Justiça está determinando de 80% do efetivo”, explica Márcio Cunha, delegado regional do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp).

Em decisão proferida no dia 12 de agosto, a desembargadora Dora Vaz Treviño (a mesma que conduziu a audiência de ontem) obrigou os policiais civis de São Paulo a manter 80% do efetivo e proibiu a interrupção de qualquer tipo de atividade. Havendo descumprimento da ordem judicial, a sentença prevê pagamento de multa diária de R$ 200 mil.

Mas a determinação será cumprida, garante Cunha. Ele e mais 89 colegas de Bauru e região estiveram ontem na Capital para acompanhar as negociações. Voltaram com a proposta de endurecer o movimento, como era previsto no início da campanha. Se de fato acontecer, apenas procedimentos de flagrante serão realizados nas delegacias durante a paralisação.

Segunda vez

O registro de outras ocorrências e os serviços de investigação serão suspensos, conforme cartilha elaborada pela entidade aplicada há 24 dias, quando a greve teve duração de sete horas. Desde então, o caso vem sendo discutido no TRT, enquanto os policiais permanecem em estado de greve.

Nessa circunstância, trabalham em operação padrão, ou seja, cada policial desempenha especificamente sua função. Dependendo da decisão da assembléia de segunda-feira, as delegacias abrirão normalmente, mas serão registradas somente ocorrências de flagrantes e feita remoção de cadáveres.

Os demais serviços, como investigação e encaminhamento de inquérito, estão suspensos. Detalhes, no entanto, serão decididos na assembléia, reitera Cunha. “Ela é soberana. Não podemos impor isso aos colegas. É uma vergonha o que o governo do Estado está fazendo com o policial. É aviltante”, comenta.

Os policiais reivindicam reajuste salarial e melhores condições de trabalho - que incluem a adoção de adicional noturno, fixação de 40 horas semanais e critérios claros para promoção, por exemplo. Ontem, o governo ofereceu R$ 500 milhões para toda a folha de pagamento, R$ 50 milhões a mais que a proposta anterior, informa a Folhapress. Por conta do horário, a reportagem não conseguiu contanto com a Secretaria de Gestão Pública.

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