Exatos 35 dias após ser dado de presente à cidade, o Bauruzinho foi arrancado do Parque Vitória Régia. O obelisco, feito em fibra de vidro e aço, foi levado por quatro estudantes universitários para enfeitar a república em que moram. Todos foram presos em flagrante por tentativa de furto logo que chegaram em casa, e passaram o dia presos no Plantão Policial. No início da noite, foram liberados provisoriamente, mas agora respondem inquérito por tentativa de furto qualificado.
Paulo Octavio de Azevedo, 20 anos, é aluno do curso de biologia e natural de Ribeirão Preto; Willian Massao Obata, 25 anos, cursa mestrado em biologia e é de São Paulo; Marcelo Henrique Furini, 24 anos, veio de Batatais e cursa engenharia civil, e Rafael Rodrigues de Oliveira, 20 anos, é natural de Lençóis Paulista e estuda administração. Os três primeiros são alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e o último, estudante da Universidade do Sagrado Coração (USC).
Os quatro voltavam para a república onde moram, localizada na esquina da rua Antônio Garcia com a Almeida Brandão, no Jardim Brasil, na madrugada de ontem quando resolveram levar o Bauruzinho para decorar a sala. Eles arrancaram o obelisco da base e o carregaram por cerca de cinco quadras, atravessando a avenida Nações Unidas.
No entanto, informados por um denunciante anônimo, policiais militares flagraram a ação dos estudantes e prenderam os quatro, conduzindo-os ao Plantão da Polícia Civil. Na república, além do Bauruzinho, os policiais encontraram três carrinhos de supermercado e placas de sinalização de trânsito também suspeitos de terem sido furtados. Escoltados pelos policiais, os próprios estudantes descarregaram o obelisco, as placas e os carrinhos da viatura para a delegacia.
Para o delegado Eduardo Samuel Sganzela, que autuou em flagrante os quatro por tentativa de furto qualificado, a atitude deles foi lamentável ainda mais porque, em se tratando de estudantes universitários, parte-se do princípio que eles tenham conhecimento das leis. “Eles foram surpreendidos carregando este símbolo da cidade. Os policiais militares os acompanharam até o local para onde eles levavam a estátua e os detiveram”, explicou.
Sganzela afirmou que os quatro foram autuados em flagrante por tentativa de furto qualificado, uma vez que houve o rompimento de obstáculo, já que a estátua era fixa, e também por mais de duas pessoas terem participado da ação. “Os quatro serão autuados em flagrante e encaminhados à cadeia pública de Duartina, onde permanecerão à disposição da Justiça”, disse o delegado ao conceder entrevista na manhã de ontem.
Caso sejam condenados, a pena para tentativa de furto qualificado é de quatro a oito anos de prisão. Um dos universitários, Rafael Rodrigo de Oliveira, fez aniversário anteontem. Para Sganzela, é bem provável que o motivo da ação tenha sido uma forma de terminar a comemoração, porém o delegado enfatiza que a conduta deles, seja pelo motivo que for, não serve de desculpa para o ato.
Outro estudante que mora na mesma república e estava dormindo na hora em que os colegas chegaram, afirmou que acordou com o barulho e foi verificar. Segundo ele, os quatro tentavam passar com o Bauruzinho pela porta e pediram para que ele ajudasse. Logo após conseguirem colocar a estátua dentro da casa, o estudante contou que voltou a dormir. Passaram poucos minutos e os policiais militares chegaram e deram voz de prisão aos quatro.
O Jornal da Cidade tentou conversar com os quatro estudantes presos, mas eles não aceitaram falar com a reportagem, afirmando que não tinham nada a declarar. No início da noite, a Justiça concedeu a liberdade provisória aos quatro. A argumentação dos advogados de defesa foi de que nenhum deles tem antecedência criminal e possuem residência fixa, entre outros requisitos, para responder inquérito por tentativa de furto em liberdade.