Polícia

Renovada temporária dos presos de Bauru na operação “Garra Rufa”

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A Justiça de Quatá manteve presos o advogado Guilherme Goffi de Oliveira e o representante de laboratório farmacêutico Dalton Araújo Pereira, de Bauru. Eles são acusados de integrar uma quadrilha que patrocinava ações judiciais para forçar o Estado a comprar medicamentos de alto custo, fora da lista de distribuição gratuita. Contra eles foi expedido, na última segunda-feira, mandado de prisão temporária de cinco dias, renovado ontem por igual período.

Também foram mantidos presos os representantes comerciais de Ribeirão Preto Fábio Marti e Márcio Pancica. Alegando falta de acesso às provas do inquérito policial, os quatro adotaram estratégia de defesa de manifestarem-se sobre o caso somente em juízo. Já os outros quatro que prestaram depoimento na Delegacia Seccional de Marília foram liberados na noite de ontem.

Trata-se da presidente da Associação dos Portadores de Vitiligo e Psoríase do Estado de São Paulo, Luci Grassi, da secretária da entidade, Ivonete Aparecida Lima, além do médico dermatologista e clínico geral Paulo César Ramos e da advogada Fabiana de Castro. Conforme a reportagem apurou, obtiveram liberdade porque colaboraram com as investigações.

Para a Polícia Civil, ao contribuir, a prisão temporária perde o objeto uma vez que é concedida justamente para que seja possível colher informações. Já no entendimento do advogado Thiago Luís Rodrigues Tezani, seu cliente Dalton Araújo Pereira foi punido por exercer o direito constitucional de se calar. Hoje, ou no mais tardar na segunda-feira, ele recorrerá ao Tribunal de Justiça com pedido de habeas corpus.

Adotará a mesma medida neste sábado a defesa do advogado Guilherme Goffi de Oliveira. Por uma prerrogativa profissional, a Justiça entendeu que ele deverá permanecer numa sala sem características de cárcere, denominada sala de estado maior. Caso haja dificuldade em encontrá-la, uma vez que o cômodo não existe no Estado de São Paulo, a defesa do advogado novamente recorrerá à Justiça, mas desta vez para reivindicar prisão domiciliar. Anteriormente, a Justiça lhe negou pedido idêntico.

Por conta da renovação das quatro prisões temporárias, o presidente do inquérito, delegado Fábio Pinha Alonso, deixará para relatá-lo somente na próxima quarta-feira. Os relatórios a serem encaminhados ao Ministério Público informam como os suspeitos seriam beneficiados pelo esquema baseado na venda de medicamentos de alto custo para psoríase. Caros, os remédios rendiam depósitos em contas, viagens e passagens aéreas, conforme o JC já divulgou.

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