Apesar da recente popularização dos cartões de crédito e débito, cada vez mais usados como forma de pagamento, a maioria da população brasileira ainda prefere o dinheiro em espécie. A média que cada cidadão carrega no bolso é de R$ 20,00, em notas de R$ 10,00 e de R$ 5,00. É o que revela a pesquisa “O brasileiro e sua relação com o dinheiro”, divulgada recentemente pelo Banco Central (BC) do Brasil.
De acordo com o estudo, 77% dos brasileiros utilizam o dinheiro vivo como principal meio para o pagamento de dívidas e compras. No entanto, as transações em espécie são mais freqüentes em compras de baixo valor, tais como os gastos em padarias e mercadinhos. Na medida em que a conta vai ficando mais elevada, como a compra de eletrodomésticos, roupas e calçados, esse percentual diminui.
“Mas observamos uma forte concentração do uso do dinheiro para pagamento em educação, aluguel e condomínio. Isso é uma surpresa, porque são itens de valores um pouco mais altos”, aponta Luiz Ernani Marques Accioly, chefe adjunto do Departamento do Meio Circulante do BC.
Ele explica que a decisão por gastar em dinheiro é muito influenciada pelo fato de 55% da população também receber o salário em cédulas. “Mas a estabilidade econômica e a redução dos juros também contribuem para isso”, completa.
A pesquisa apontou ainda que, entre aqueles que recebem salário por meio de depósito em conta corrente, 29% retiram o dinheiro nas agências ou caixas eletrônicos para realizar operações. Esse é o caso do aposentado Luiz Zangalli, 73 anos.
Todo mês, ele saca o benefício para poder saldar suas dívidas. Para o aposentado, sair de casa com o dinheiro contado facilita dominar os gastos. “Com o cartão, a gente perde o controle, por isso nunca tive um e nem quero ter”, declara.
Ao lado dele, a dona de casa Olívia Alves Falconi, 64 anos, concorda: dinheiro na mão é a melhor forma de evitar desperdícios. “Já tive cartão, mas agora uso só dinheiro. É melhor, inclusive, para conseguir um bom desconto”, ensina ela, que está entre os 63% dos brasileiros que guardam o dinheiro dentro da carteira.
Porém, quando a cédula é de R$ 100,00, a de maior valor em circulação no País, ela explica que o segredo é deixar o dinheiro bem escondido, em um compartimento dentro da bolsa.
Falso X verdadeiro
Os dados obtidos através do levantamento indicaram que o brasileiro costuma levar, diariamente, valores médios de até R$ 20,00, elegendo as notas de R$ 10,00 e R$ 5,00 como suas preferidas. Além disso, a maior parte da população carrega entre R$ 1,00 e R$ 2,00 em moedas na carteira.
A pesquisa mostra também que o brasileiro procura verificar a autenticidade do dinheiro. Dos entrevistados, 58% disseram conferir se estão recebendo uma nota verdadeira. O taxista Lázaro Roque da Silva, que costuma receber muitas cédulas de R$ 50,00 após cada corrida, diz estar alerta o tempo todo.
“Sempre tem um espertinho querendo repassar dinheiro falso. Apesar disso, nossa maior dificuldade está na falta de troco. Temos sempre que arredondar o valor da corrida para menos”, reclama.
Ao contrário dele, Rubens Theodoro da Silva não tem do que se queixar. Proprietário de uma padaria no Jardim Bela Vista, ele conta que mais de 95% dos clientes que passam pelo estabelecimento realizam o pagamento em dinheiro - e com muitas moedas.
“Todo dia, eu separo as moedas para os outros comerciantes, que estão sempre precisando de dinheiro trocado”, diz. Ele conta que recebe muitas notas de baixo valor, como as de R$ 1,00, em péssimo estado de conservação.
De fato, de acordo com Luiz Ernani Marques Accioly, as cédulas de R$ 100,00 e R$ 50,00 são as mais bem cuidadas e chegam a ter vida útil de até três anos. Já as notas de menor valor e maior velocidade de circulação - como as de R$ 1,00, R$ 2,00 e R$ 5,00 - costumam ser recolhidas após um ano de uso, já bastante danificadas.
A pesquisa aponta que 53% das pessoas aceitam dinheiro estragado sem reclamar, assim como faz Silva. “Eu entendo que tem valor do mesmo jeito. Então, aceito do jeito que vier, mas depois mando tudo para o banco”, declara.
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Cuidados com o dinheiro
A pesquisa “O brasileiro e sua relação com o dinheiro” indica que a maioria da população brasileira guarda o dinheiro em local adequado. A carteira é usada para manter o dinheiro por 63% dos entrevistados. Esse percentual era de 61% na pesquisa anterior. Outras formas declaradas de guardar as cédulas são: solto na bolsa (10%), em compartimentos dentro da bolsa (7%), em carteirinhas dentro da bolsa (5%) ou em porta-níqueis (2%).
Em relação à moeda, 30% dos entrevistadas disseram que as mantêm no bolso, outros 26%, na carteira e 29%, em porta-níqueis. Na pesquisa anterior, 29% guardavam as moedinhas no bolso, 23% na carteira e 35% em porta-níqueis.
No item estado de conservação das cédulas, a população brasileira considera importante que as mesmas não estejam rasgadas. As notas de maior valor, como por exemplo, as de R$ 100,00 e de R$ 50,00, são consideradas em melhor estado de conservação.
Hábitos de uso
A maioria dos entrevistados na pesquisa costuma levar, diariamente, valores médios de até R$ 20,00, elegendo as notas de R$ 10,00 e R$ 5,00 como suas preferidas (mais de 50%).
Essa preferência contrasta com a disponibilidade de notas em terminais de auto-atendimento, já que apenas 11% deles disponibilizam notas de R$ 5,00 aos clientes dos bancos.
A faixa de maior concentração de uso está entre R$ 1,00 e R$ 2,00, quando se fala de moedas. Cerca de 28% dos entrevistados declararam carregar esse valor em moedas diariamente. Chama a atenção o crescimento do valor médio de moedas portadas diariamente que, em 2005, foi de R$ 3,18 e passou para R$ 3,64 em 2007.
Os entrevistados declararam que, de cada dez moedas que recebem, usam 75% delas no dia-a-dia. As moedas ficam guardadas em casa por, no máximo, uma semana, disseram 54% dos entrevistados.
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Identificação de segurança
Segundo Luiz Ernani Marques Accioly, chefe adjunto do Departamento do Meio Circulante do BC, as campanhas já realizadas pela instituição sobre dinheiro foram importantes para a população identificar os elementos de segurança das cédulas. A pesquisa comprova que 50% dos entrevistados se lembram da divulgação sobre o reconhecimento de cédulas verdadeiras. Mais de um terço dos entrevistados, 36%, viu propagandas pela TV.
A freqüência com que se verifica se a nota é verdadeira cresceu entre 2005 e 2007, passando de 53% para 58%. Isso contribui para reduzir a circulação de notas falsas. Quanto mais alto é o valor da cédula, maior a preocupação se o dinheiro é verdadeiro ou não. Entre os itens de segurança, o verificado com maior freqüência (47%) é a marca d’água das cédulas, elemento de maior dificuldade para falsificação.