Geral

Um computador disfarçado de telefone

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

O iPhone ainda não foi lançado no Brasil. Mesmo assim, não é difícil encontrar alguém que já tenha um desses em Bauru. Quem tem, não esconde o deslumbramento. Os recursos oferecidos são tantos e tão avançados que o aparelho provoca amor ao primeiro contato. E olha que ele ainda é subutilizado em Bauru, porque a cidade não conta com a tecnologia 3G, prevista para chegar à cidade até o final deste ano.

É bem provável que o iPhone chegue antes. De acordo com previsões da Vivo, uma das operadoras credenciadas a vender o iPhone no Brasil, o aparelho estará disponível para venda em até três semanas. A Claro, outra operadora que firmou contrato com a Apple para comercialização do iPhone, prometeu disponibilizar os aparelhos em até dois meses. A operadora abriu inscrição em seu site para os interessados no aparelho.

O fascínio virou a marca do iPhone. Desde que o aparelho foi lançado, em junho do ano passado, nos Estados Unidos, ele provoca a cobiça dos consumidores no mundo todo. A exemplo do Brasil, muitos outros países ainda não vendem o aparelho. Essa dificuldade em ter um iPhone só faz aumentar a mística em torno dele.

Um rapaz bauruense de 26 anos (que pediu para ter seu nome preservado) foi um dos primeiros brasileiros a falar em um iPhone. Quando o aparelho foi lançado, ele estava nos Estados Unidos. Depois de enfrentar uma fila de oito quarteirões, conseguiu comprar um. “Fiquei deslumbrado”, resume.

No início, ele imaginava que havia comprado um telefone com recursos multimídia. Não demorou para concluir que estava diante de algo muito maior que isso. Eram tantas as opções que ele viu que o telefone era apenas um detalhe. “O iPhone é um computador com telefone. Não o contrário”, define.

Entre as funções de um iPhone estão a de notebook, GPS, iPod (tocador de música), mapas, além das já manjadas câmera fotográfica, TV, agenda, calculadora e outras. A coisa fica ainda mais impressionante com os aplicativos (programas) que podem ser instalados no aparelho, como transformar a tela do telefone em uma guitarra, piano ou bateria, por exemplo.

Certo de que o iPhone se transformaria no sonho de consumo de muitos, o jovem bauruense comprou dez aparelhos (cota máxima permitida pela Apple, fabricante do iPhone) nos Estados Unidos e trouxe para o Brasil. Ele vendeu tudo em apenas 48 horas.

Mas para que o aparelho funcione por aqui, foi preciso alguns “ajustes”. Como a Apple fez contrato de exclusividade nos Estados Unidos com a operadora de telefonia AT&T, o iPhone vem bloqueado para chips de outras operadoras. Por isso, é preciso desbloquear o aparelho para que ele funcione no Brasil.

Aliás, dois estudantes brasileiros foram os primeiros em todo o mundo a conseguir desbloquear o telefone. Os paulistas Breno “MacMasi”, 23 anos, e Paulo “Stool”, 20 anos, conseguiram a façanha de fazer o aparelho funcionar com os chips das operadoras brasileiras apenas quatro dias após o lançamento do iPhone nos Estados Unidos.

Depois de várias tentativas e prejuízos, o bauruense também conseguiu descobrir como é que se desbloqueia o telefone. Por cerca de R$ 1,4 mil, ele vende o aparelho já desbloqueado. Lojas de eletrônicos vendem, pela Internet, um iPhone desbloqueado por algo entre R$ 1.225,00 e R$ 2 mil.

O grande problema dos telefones desbloqueados é que os consumidores não podem baixar atualizações de software no site da Apple, ou o iPhone é bloqueado novamente.

O poder do iPhone não está somente em sua tecnologia inovadora, mas na facilidade de uso. O aparelho conquista porque ajuda as pessoas a fazer o que desejam de maneira simples. A julgar pela curiosidade dos consumidores brasileiros, particularmente dos bauruenses, em saber quando começam as vendas do iPhone, não é difícil imaginar que o lançamento do produto por aqui será um acontecimento que entrará para a história.

____________________

Desbloquear não é crime

Em uma primeira análise, imagina-se que desbloquear um iPhone para que funcione com o chip de outras operadoras é crime. Engano. De acordo com o advogado José Antônio Milagre, especialista em direito eletrônico, a própria Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) proíbe o bloqueio de telefones móveis. A determinação está prevista no artigo 81 do regulamento da Anatel. A regra permite, principalmente, que o consumidor possa trocar de operadora sem ter de mudar de aparelho.

Além da determinação da Anatel, existe um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que proíbe as operadoras de bloquear os aparelhos para evitar o uso de chips de outras empresas. O projeto, de autoria do deputado Arnon Bezerra (PTB-CE), foi aprovado por unanimidade pela Comissão de Defesa do Consumidor e aguarda parecer da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.

Segundo Milagre, desde que o consumidor pague a multa pela quebra de contrato com a AT&T, não há nenhum problema judicial em desbloquear o iPhone. Um acordo entre Apple e AT&T estabeleceu que quem compra um iPhone nos Estados Unidos tem de permanecer pelos menos dois anos fazendo ligações pela operadora. Se o consumidor decidir migrar para outra empresa de telefonia durante esse tempo, tem de pagar multa por quebra de contrato. Feito isso, ele está livre para procurar outra operadora. “No Brasil, não há nenhuma legislação que pune o desbloqueio de telefone celular”, afirma o advogado.

Comentários

Comentários