Esportes

Jogos na TV e exigência da torcida seriam principais ‘concorrentes’

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Sofá e controle remoto são apontados como os grandes rivais de estádios lotados, não apenas em Bauru, mas na maioria das praças esportivas do País. Na opinião de antigos torcedores, parceiros e ex-dirigentes, a grande variedade de partidas exibidas, seja em canais abertos ou na TV fechada, ajuda, e muito, a afugentar torcedores dos campos. “Nas partidas com os grandes há público”, ressalva o engenheiro e empresário Érico Braga, que já colaborou com o clube. Ele enfatiza a concorrência com jogos dos grandes clubes, realizados no mesmo horário em que o Alvirrubro está em campo. “Os próprios jogos do Noroeste acabam exibidos na TV a cabo. É claro que o clube recebe uma cota. Mas, será que isso é mais interessante?”, questiona Braga, sugerindo jogos em horários diferentes aos dos grandes clubes. “Caberia à Federação realizar estudo nesse sentido”, atribui o empresário.

Além da mídia, os resultados, sob a ótica de Cláudio Amantini, ex-presidente do clube, são o fiel da balança quanto à assiduidade de torcedores. “O torcedor é de resultado e o time não vem ajudando”, aponta o ex-mandatário, à frente do clube durante a década de 70. “Mas o público também está muito exigente”, constata Amantini. “Os torcedores deveriam comparecer mais. O time merece uma força maior”, considera, citando grandes massas presentes ao Alfredão, mesmo em tempos quando a Maquininha Vermelha jogava apenas contra rivais interioranos. “Precisamos ser mais bairristas”, enfatiza o ex-dirigente, que, do alto de seus mais de 80 anos, garante que é presença cativa no Alfredão, faça chuva ou sol.

O amor ao time da casa, para o jornalista e historiador Luciano Dias Pires, que também presidiu a agremiação, é algo real, no entanto, admite, o sentimento anda em clima de “paixão recolhida”. “O amor continua”, assegura. “A torcida, exigente, vai se o time está bem. Caso contrário, não vai mesmo”, observa Pires, citando a grande festa alvirrubra em 1953, ocasião do primeiro acesso da equipe à elite, quando, segundo o memorialista, quase 10 mil pessoas foram ao estádio, época em que a cidade não possuía população superior a 70 mil habitantes. “Em 1980, o Noroeste recebeu a Portuguesa com 12 mil torcedores no estádio”, acrescenta. “Todo o interior sente esse esvaziamento”, ressalva Pires, que atribui um provável retorno da massa alvirrubra ao Alfredão desde que o clube restabeleça sintonia com a comunidade. “Campanhas na cidade, como levar jogadores às escolas, sorteios de ingressos entre alunos, poderiam ajudar”, sugere.

Esforço, no entanto, é o que não falta no recrutamento de torcedores ao estádio, segundo José Roberto Pavanello, presidente da torcida organizada “Sangue Rubro”. “A gente tem discursado, pedido, implorado. O noroestino está acomodado, o negócio é só Campeonato Paulista”, observa, ao criticar a maneira - e valor - com que ingressos são vendidos. “O clube vendeu 750 carnês para a Série-C. Desse montante, apenas nós somos responsáveis pela comercialização de 350, vendidos ‘na raça’, diretamente ao povo no Calçadão”, detalha. “Foram vendidos alguns para a Copa Paulista, mas o número é irrisório. O clube errou ao deixar as vendas estáticas em pontos isolados”, opina o chefe de torcida.

Procurados pela reportagem, os dirigentes Damião Garcia e Fernando Garcia não retornaram as solicitações de entrevistas para se posicionarem sobre o assunto. “Enquanto o time não subir, a torcida não vai no Brasileiro”, lamenta o chefe da organizada, no temor de que o coro, pouco a pouco, se transforme em silêncio.

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