Muro alto, grades, cacos de vidro e, inclusive, o cachorro, amigo e cão de guarda, estão perdendo espaço para a tecnologia em nome da segurança patrimonial. O medo de se tornar a “próxima vítima” tem motivado até mesmo moradores de bairros onde o metro quadrado não é tão disputado a investir em tecnologia para proteger a família e os bens adquiridos, às vezes, depois de longos anos de trabalho.
Além das residências localizadas na região sul da cidade nos jardins Europa, América e nos condomínios fechados existentes nessa área, moradores de bairros como Jardim Mary Dota, núcleos Redentor e Gaisel, Vila Cardia e tantos outros estão apostando tudo na segurança eletrônica para se ver livre de pichadores, ladrões de quintais e até mesmo dos “profissionais” especializados em invadir residências e fazer a “limpa” no imóvel.
A proteção vai desde a mais simples, como a cerca elétrica ou a proteção perimetral, uma espécie de cerca em espiral dotada de pequenas lâminas afiadas, até alarmes, sensores, sistemas de barreiras de infravermelho, câmeras de gravação com visualização via TV, computador ou até pelo celular e o monitoramento por GPRS (General Packet Radio Service), tecnologia sem a utilização de fios.
Bauru possui cerca de 25 empresas em atuação na cidade que oferecem sistemas de segurança eletrônica. Além delas, o mercado informal passa a ser integrado por pessoas que não possuem empresas abertas, mas que brigam diariamente por clientes num setor que não pára de crescer.
O mercado de segurança eletrônica tem se tornado tão promissor, principalmente no último ano, que as empresas já encontram dificuldade para encontrar mão-de-obra especializada para realizar o trabalho de instalação de equipamentos e monitoramento de residências.
“Tem sido difícil encontrar profissionais capacitados para trabalhar nesse mercado. Ninguém vai abrir as portas da sua casa ou entregar as chaves dela para quem não inspire confiança”, explica Ricardo Lopes, um dos proprietários de uma empresa de segurança eletrônica na cidade.
A procura por segurança eletrônica para imóveis residenciais e comerciais na cidade é tão grande que tem superado o aumento médio nacional, fixado em 15%, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Segurança Eletrônica (Abese).
César Augusto dos Santos, proprietário de empresa que atua no mercado em Bauru, acredita que só nos últimos seis meses a procura por equipamentos eletrônicos de segurança tenha registrado aumento de aproximadamente 20%. O número foi confirmado por outros estabelecimentos ouvidos pela reportagem. “O mercado está em crescimento, mas os informais atrapalham muito”, desabafa.
Santos conta que por mês cerca de 30 a 40 novos clientes procuram sua empresa em busca de qualquer tipo de segurança eletrônica. “Infelizmente, alguns estão atrás de preço e não de segurança, por isso acabam colocando em suas residências equipamentos paralelos que realmente são mais em conta, mas que podem falhar no momento em que o cliente mais precise dele”, enfatiza.
Tanto Santos quanto Lopes apontam que uma onda furtos a residências e no comércio da zona sul, registrada recentemente, foi responsável por uma corrida até as empresas que trabalham com segurança eletrônica.
“As pessoas apenas se preocupam com a segurança da casa ou do comércio quando já se tornaram vítimas ou o perigo é iminente”, explica Hudson Cardia, proprietário de outra empresa de segurança eletrônica. O estabelecimento dele, nos últimos três meses, tem registrado a média de três novos clientes por dia.