Bairros

Precaução impulsiona mercado da cidade

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 5 min

Ter sofrido furtos e roubos não é a única razão que leva bauruenses a adquirirem dispositivos de segurança. A precaução também motiva muitas pessoas a comprarem equipamentos e contratarem empresas de monitoramento. Em alguns casos, o cuidado se deve ao fato de um vizinho ou parente ter a residência invadida. Em outros, a instalação câmeras de filmagem CFTV (Circuito Fechado de TV) é motivada apenas para se livrar de pichadores de muro que não dão sossego.

Por um motivo ou outro, a corrida pela segurança alternativa é real. Fernando Aguiar instalou um verdadeiro arsenal de segurança na sua residência. Morador de um bairro relativamente tranqüilo, ele justifica que toda preocupação vem do passado.

“Quatro meses depois de casado, tive a minha casa invadida por ladrões, que fizeram uma ‘mudança’. Levaram tudo, por isso me mudei para um apartamento. Agora tive que voltar a morar em residência e investi cerca de R$ 3.000,00 para garantir a segurança da minha família”, conta.

Pelo computador, Aguiar tem o controle de tudo o que acontece na porta da sua casa e corredores externos. Além disso, a casa conta com alarme e sensores externos e internos, além de barreiras de infravermelho. Para garantir, ele colocou cerca elétrica em toda extensão do muros que cercam a casa.

Aguiar também instalou grades em um corredor de acesso aos fundos da residência. Outro dispositivo que o morador não abre mão é o botão de pânico no controle do alarme. “Além disso, tenho o monitoramento 24 horas da residência”, conta. Se toda essa parafernália eletrônica falhar, o morador ainda conta com seguro total da casa.

Aguiar nem de longe é um caso à parte, de acordo com proprietários das empresas de segurança eletrônica de Bauru. Muita gente investe pesado para garantir que seu patrimônio fique ileso das ações de bandidos. Mas tanto cuidado tem preço: quanto maior a segurança oferecida, maior também é o valor. “Hoje já é possível acessar as imagens do circuito interno de câmeras na residência pelo celular, em qualquer lugar”, garante César Augusto Santos, proprietário de uma empresa que atua em Bauru.

Elizabete Bezerra prefere não arriscar. Além de muro alto e cachorro no quintal, ela decidiu instalar cerca elétrica, alarme e espalhar sensores por toda a casa. Ela conta que optou pelo sistema de segurança há cerca de sete meses, logo depois que uma casa vizinha a sua foi invadida. “Percebi que nem mesmo o muro de mais de 2,50 metros protegia e que o cachorro seria facilmente vencido por ladrão armado”, explica.

Bezerra diz que investiu pouco mais de R$ 1.000,00 em equipamentos, além de pagar uma mensalidade de R$ 50,00, e que não se arrepende. “Minha atitude foi seguida por outras pessoas que moram aqui no Parque Vista Alegre. Não me sinto totalmente segura, mas a tranqüilidade é maior”, completa.

Cristófer Patrick Cândido, funcionário há quatro anos de uma empresa de segurança eletrônica na cidade, diz que todo mês trabalha em cerca de 40 residências diferentes na cidade. “Tem muito serviço. Desde uma simples trava no portão, cerca elétrica até câmeras de monitoramento e sensores de barreira”, conta.

Pelos bairros, o que mais se encontra é a cerca elétrica. No Jardim Araruna, Rosa Maria Gonçalves resolveu investir na segurança depois de ter a casa invadida por ladrões enquanto viajava. “A Polícia não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo e o bandido sabe disso, então cabe a cada morador se proteger e guardar seu patrimônio como pode”, opina.

A moradora conta que tentou se imaginar como um ladrão, avaliando por onde tentaria entrar em sua casa. “Pesquisei as empresas e contratei aquela que foi mais clara. Indiquei a ele os locais que considerava vulneráveis na minha residência e acredito que paguei um preço justo pelo serviço contratado”, afirma Gonçalves, que não revela o quanto desembolsou pelo sistema de segurança.

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Olho cego

Nem tudo o que se vê é ouro. Essa frase bastante batida por aí serve para ilustrar o que alguns moradores têm feito para afastar ladrões e pichadores de suas residências. Se os ladrões são espertos, alguns moradores têm se mostrado mais astutos. Como a instalação de CFTV (Circuito Fechado de TV) ainda não está acessível para todos os orçamentos, os moradores optam por instalar apenas a câmera, um sensor de movimento e um pequeno holofote para espantar pessoas mal-intencionadas.

Uma moradora do Jardim Pagani conta que tem uma câmera instalada em casa, mas que não fica ligada. Mas o simples fato do aparelho estar ali fora e o holofote se acender sempre que alguém é pego pelo sensor de presença, já foi o bastante para afugentar os pichadores. “As pichações acabaram e a dor de cabeça também” conta.

Na Vila Cardia, todos equipamentos utilizados pela moradora do Pagani acompanhados por uma placa como os dizeres: “Sorria, você está sendo filmado” também foram suficientes para acabar com o incômodo de pequenos furtos e pichações.

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Números

As ocorrências de furtos e roubos registrados na cidade nos últimos meses de certo modo explicam a “corrida” das pessoas em busca de segurança eletrônica para seus imóveis comerciais e residenciais.

De dezembro de 2007 até agosto deste ano, o número de furtos registrados em Bauru sofreu acréscimo superior a 46%. O pico no índice de furtos foi registrado em abril, quando ocorreram 633 crimes desse tipo na cidade.

Em dezembro foram 296, no mês seguinte, 470 ocorrências do tipo, que subiram em abril para 633 casos. No último mês, foram registrados 581 crimes desse tipo.

O números de roubos também preocupam. Em dezembro de 2007, foram registrados 90 casos em março. Em abril, foi registrado o maior índice até agora: 111 crimes do tipo. Em cinco meses os registros de roubos em Bauru cresceram cerca de 25%, saindo de 90 para 111 ocorrências. Daí em diante os números voltaram a cair. Em maio foram 104 casos, em junho os registros voltaram a ficar nos dois dígitos, com 99 registros.

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