Uma sucessão rápida e cambiante de impressões, sensações. As vicissitudes que a vida nos oferece. Como somos compelidos muitas vezes a alterar nosso ponto de vista, a modificar nosso comportamento usual. É o que passamos a discorrer.
Católico praticante, resolvi (1962) romper namoro com moça católica que tinha virado evangélica. Religião diferente era óbice para mim. Casei-me com católica (1969) que virou evangélica (2000).
Quando freqüentava a faculdade (1966) participei de um debate acadêmico sobre o divórcio. Havia o bloco daqueles contra e o bloco daqueles a favor. Participei ardorosamente debatendo contra, por motivos religiosos. Hoje, reconheço meu engano (ser contra).
Algo imperdoável para mim era mulher pôr chifre no namorado. Mas o coração tem razões que a própria razão desconhece. Alguém que dizia muito me amar e... Mas com isto amadureci e cresci por dentro. Já na época eu a perdoei, de coração. Respeitei sua opção.
Sempre fui abstêmio, mas em 1974 lecionava em Curitiba (PR). Lá, sob inverno rigoroso, todo mundo bebe álcool. Tomava um copo de vinho tinto diariamente na saída das aulas, às 23h. Também bebia vinho tinto durante as refeições. Hoje, continuo abstêmio.
Não acreditava em videntes, até que conheci D. Cida (1978), em Poços de Caldas (MG). Ela me provou por “A” mais “B” que há, paradoxalmente, pessoas que vêem o futuro. Todas as previsões feitas por ela foram se realizando nas datas e do jeito que ela previu.
Como motorista sempre obedeci ao limite máximo de velocidade. Em 1996, ao levar pessoa conhecida para SP, numa emergência, cheguei até 150 km/h, à noite. Imprudência que não quero jamais repetir, porque isto contradiz o meu modo de pensar e de agir.
Há uns 30 anos uma tia de minha esposa me chocou com esta pérola: um neto ainda bebê, pegamos no colo, achamos bonitinho e devolvemos à mãe. Hoje, sexagenário e experiente da vida, concordo com a tia, em gênero, número e grau. Na época, achei isso desumano.
Nunca bati nos filhos. Em 2007 um neto (9 anos) não quis voltar da escola para casa. Quis brincar. Com custo ele veio comigo. Fechei a cara, mas não disse nada. Em casa, ele disse à minha esposa: “Vó, tudo que o vovô disser é mentira”. Dei umas boas palmadas na bunda dele.
Gilberto Sidney Vieira