Tribuna do Leitor

Carta de repúdio à Política de Saúde Pública de Bauru


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Venho por meio desta registrar meu repúdio ao péssimo serviço de saúde pública prestado pela Prefeitura Municipal de Bauru, em especial a leishmaniose, popularmente conhecida como a “Úlcera de Bauru”. Bauru é considerada como uma das maiores àreas endêmicas do país em número de casos. É fato que a transmissão se dá por meio da picada do mosquito Palha, Flebotomo ou Pito, que transmite o parasita Leishmania aos humanos e aos animais. A atenção deve voltar-se aos cães que permanecem como hospedeiros do parasita até a sua morte. E é especialmente aos cães que me refiro. Em minha infância, nas décadas de 80 e 90, tive dois cães que conviveram por mais de uma década com minha família, ambos nunca apresentaram qualquer problema de contaminação, assim como todos os cães de nossos vizinhos no bairro Altos da Cidade, onde minha família reside a quase 50 anos.

Hoje o quadro é muito diferente, nos últimos doze meses nada menos do que 17 animais num raio de 3 quadras foram sacrificados por estarem doentes ou com suspeita da doença. Cães estes vacinados e que usavam coleiras repelentes, métodos que embora seja eficazes não possuem cem por cento de segurança contra os vetores da doença. Só em minha casa, que fica a duas quadras do Hospital de Base e da Vigilância Sanitária, dois de nossos três cães foram sacrificados, cães que nunca saiam de dentro de casa e que receberam todos os cuidados e precauções necessários.

A questão é: se cães que nunca saem de casa estão sendo contaminados, logo foram picados pelo mosquito vetor dentro de nossas casas, assim estamos em mesmo de grau de exposição à doença, e se não a contraímos, foi por mera sorte. Se em um bairro considerado como integrante da área nobre da cidade, que engloba dois dos maiores hospitais do munícípio, o quadro está assim, o que podemos dizer de áreas mais afastadas?

O que a prefeitura tem feito no combate à doença que se tornou uma endemia? Há anos não vemos técnicas de nebulização, fiscalização e combate à “Úlcera de Bauru”. Gostaria de frisar que infelizmente apenas técnicas de conscientização e informação através dos meios de comunicação não são suficientes, é preciso um trabalho firme, rigoroso. Mas ultimamente o único rigor que temos visto advindo do Palácio da Cerejeiras e de seus comandados é quanto aos radares e aplicações de multas de trânsito, esse sim um rigor e tanto, uma atuação implacável. Por enquanto, na maioria, são nossos cães inocentes e indefesos que estão padecendo, espero que o número de humanos doentes não se iguale a esse triste número.

Fernando de Oliveira Leme - funcionário público - RG 30.888.-954-X

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