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MEC reprova 30% do ensino superior

Por Folhapress | Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O raio X do ensino superior, divulgado ontem pelo Ministério da Educação, permite duas importantes conclusões: a) De cada dez instituições de ensino superior, - ou seja, universidades, centro universitários e faculdades - três têm nível inadequado (nota 1 ou 2). b) É a rede privada que puxa o resultado para baixo, com quase a totalidade (96%) das instituições com desempenho considerado insatisfatório. O raio X faz parte do primeiro ranking oficial de instituições superiores, apresentado em Brasília pelo ministro Fernando Haddad (Educação). De todas as 1.448 instituições avaliadas, a que obteve a melhor nota é a Escola Brasileira de Economia e Finanças (Ebef), do Rio, que pertence à Fundação Getulio Vargas.

Considerando apenas as universidades, a Unifesp (federal de São Paulo) é a que obteve o melhor desempenho. Outras 400 instituições não foram analisadas por serem novas e não terem turmas formadas ou porque pertencem à rede estadual e não aceitaram participar da avaliação - caso da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Para chegar ao novo ranking, o MEC avaliou o nível de aprendizado dos formandos nos três últimos Enades (antigo provão), a qualidade dos cursos de graduação e pós (quando foi o caso), a titulação dos professores, a opinião dos alunos e a infra-estrutura física. No final, chegou-se ao chamado IGC, sigla de índice geral de cursos. São notas que vão de 0 a 500 e que, no final, enquadram as instituições em faixas de 1 (as piores, com nota de 0 a 94) a 5 (as melhores, com nota 395 a 500). As instituições consideradas ruins são as que ficaram nas faixas 1 e 2.

O IGC será utilizado pelos fiscais do MEC que visitam as instituições periodicamente para avaliar se elas têm condição de abrir novos cursos e se os cursos que já são oferecidos podem seguir funcionando. Até agora, diz o governo, esses fiscais tinham poucos critérios objetivos para a fazer avaliação. Eles agora chegarão às instituições com dados concretos.

Dessa forma, para abrir um curso novo, a instituição não terá apenas a sua proposta de curso considerada. Se a instituição como um todo for ruim, ela, diz o governo, dificilmente terá sucesso na ampliação. “Por que vamos dar nova autorização se ela está fazendo mau uso das que já têm?”, diz Haddad. “No limite, as instituições mal avaliadas poderão ser descredenciadas.” A situação é pior entre as faculdades. Das 1.144 avaliadas, 429 tiveram nota 1 ou 2. De 131 centros universitários, 16 foram mal avaliados. E, de 173 universidades, só nove tiveram nível crítico.

Haddad lamentou o fato de a USP e a Unicamp não participarem das avaliações do MEC. Elas não estão obrigadas a isso, pois pertencem à rede estadual. Respondem ao MEC as instituições federais e as privadas.

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Notas de Bauru

Duas universidades com câmpus em Bauru - a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Paulista (Unip) - e a Universidade do Sagrado Coração (USC), que é bauruense, foram avaliadas pelo Ministério da Educação.

No Índice Geral dos Cursos da Instituição (IGC), que sintetiza em um único indicador a qualidade de todos os cursos de graduação, mestrado e doutorado de uma instituição de ensino superior, a que tirou a nota mais alta das três foi a Unesp.

A Unesp obteve 4 - numa avaliação em que o conceito varia de 1 a 5. Com essa nota, é a 22.ª colocada entre as melhores universidades do Brasil e a 4.ª no Estado de São Paulo. Já a USC e Unip tiraram nota 3. A Universidade de São Paulo (USP) não participou da avaliação, assim como as demais instituições de ensino superior de Bauru.

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