Começo de campanha, escolhidos os candidatos à edilidade, a prefeito, a coligação se reúne para indicar os rumos da campanha, os lemas, enfim, aquele ritual de sempre.
O chefe da campanha, empolgadíssimo, faz aquela arenga arrasa quarteirão, botando incentivo e fervor até em missa de corpo presente:
- Nossos adversários têm dinheiro, têm verbas de tudo que é lado. Mas isto é de menos, pois nós temos moral e brio para dar e vender.
Palmas e mais palmas.
Depois de 2 meses de muitas calçadas percorridas, de muita conversa e o braço trêmulo de tanto entregar santinho, um candidato com parcos recursos financeiros, e intelectuais também, bate à porta do tesoureiro de sua coligação e, com ar de comiseração, mas esperançoso, diz:
- Ô companheiro, será que não dá pra você me arranjar 1.500 moral pra pagar o rapaz da gráfica que tá atrasado, e olha que ele está tão desesperado que eu acho que até em brio ele aceita, hem...
Silvio Sartori