Polícia

Policiais civis retomam greve hoje

Por Luciana La Fortezza | Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A partir de hoje, os policiais civis retomam a greve suspensa no dia 13 de agosto. Em virtude da paralisação, desta vez por tempo indeterminado, as delegacias abrirão normalmente, mas serão registradas somente ocorrências de flagrantes e feita remoção de cadáveres. A medida é uma resposta ao governo do Estado, com quem a categoria não avança nas negociações. Os policiais, que desde o mês passado estão em estado de greve, reivindicam reajuste salarial e reestruturação da carreira.

Enquanto o impasse perdurar, os policiais suspenderão serviços como investigação e encaminhamento de inquérito. “A Justiça do Trabalho determina que 80% do efetivo seja mantido e nós estamos com 100%. Ela fala que não podemos interromper o serviço. Diante dessa postura do governo, nós vamos voltar com limitadores de urgência e emergência. Ocorrências mais graves”, explica Márcio Cunha, delegado regional do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp).

De acordo com ele, a cartilha elaborada para orientar a paralisação será respeitada. Ela descarta quaisquer atividades cartorárias, com exceção dos flagrantes. Apenas em caso de réu preso é que haverá encaminhamento de inquérito. Ainda segundo o documento, os rádios não serão utilizados (somente para atender casos de flagrante). Os contatos serão feitos somente por meio telefônico. As viaturas serão utilizadas em escala mínima.

A situação é a mesma no Instituto de Criminalística, que apenas realizará perícias e exames necessários aos casos de flagrante e ocorrências envolvendo vítima fatal no local. Também de acordo com a cartilha, o Instituto Médico Legal (IML) não realizará perícia em vivos, com exceção das vítimas e presos envolvidos em flagrante. A redução nas atividades atingirá ainda a 5ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran)

Adesão

Em Bauru, a expectativa do comando de greve é de adesão maciça, como na primeira vez. São quase 200 policiais civis na cidade e cerca de 300 na região. Entre as reivindicações da categoria estão o reajuste salarial de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), incorporação das gratificações aos vencimentos (inclusive para aposentados e pensionistas), reestruturação da corporação, valorização da carreira e melhores condições trabalho.

Mas conforme a reportagem tem divulgado, o governo do Estado tem ressaltado que, em outubro do ano passado, o governador José Serra sancionou aumento salarial de até 23,43% para os 125 mil policiais civis, militares e técnico-científicos do Estado. Na última sexta-feira, policiais e governo se reuniram em nova audiência na Capital e não chegaram a um acordo.

O governo ofereceu um aumento salarial para policiais civis e militares da ordem de R$ 500 milhões em 2009. Os policiais exigiam um índice de aumento de 15% (o que corresponderia a um valor de R$ 1,05 bilhão) já em 2008, além de reajustes de 12% nos dois anos seguintes. Como não houve acordo, a greve deve ir a julgamento no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

Os policiais civis estão em estado de greve reconhecido pela Justiça por aumento salarial desde o último dia 13. Eles chegaram a cruzar os braços efetivamente apenas uma vez, nas primeiras sete horas do movimento.

A paralisação foi suspensa como conseqüência de um acordo feito com o governo em uma audiência de conciliação promovida pelo TRT no próprio dia 13.

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