Em agosto, a vendedora Gisele Martins comprou o novo Ford Ka. Pelo automóvel, pagou R$ 28.990,00. Detalhe: à vista. Ela conta que, na época, a opção foi a mais viável, embora considerasse boas as condições de financiamento apresentadas. “Mas tenho costume de comprar minhas coisas dessa maneira, pois assim consigo me planejar melhor”, explica.
Nas concessionárias de veículos consultadas pelo Jornal da Cidade, a opção de pagamento à vista registrou aumento de até 10% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o economista Reinaldo Cafeo, no entanto, a modalidade é inviável para as camadas mais baixas da população.
Para o diretor comercial José Antônio Rossini, de uma revendedora Volkswagen na cidade, a mudança de hábito tem uma explicação. “O cliente tinha o costume de trocar de carro a cada quatro anos, mas está antecipando a data e colocando o veículo antigo no negócio, pagando a diferença à vista”. Dos 250 veículos comercializados mensalmente pela empresa, 15% são pagos no ato da compra. O crescimento desta forma de pagamento atingiu 8% na comparação entre os primeiros seis meses de 2007 e deste ano.
Jorge Simão Netto, diretor de uma concessionária Ford, credita o fato às vendas de automóveis de valor agregado para um público mais elevado - empresários, na maioria dos casos. “Geralmente, o comprador desses veículos prefere o pagamento à vista”, relata.
Ele cita aumento na procura dos modelos Ford Fusion, EcoSport e Focus Sedan e Hatch, com preços superiores a R$ 50 mil. No primeiro semestre, a procura por esses veículos cresceu entre 5% e 8% sobre o ano passado. “Mas nesses casos, entra uma troca de carro e só a diferença é paga à vista”. O aumento dos pagamentos feitos à vista no primeiro semestre foi de 2% sobre o ano passado. Do total de automóveis vendidos de janeiro a junho deste ano na empresa, 20% foram pagos desta maneira.
Já em outra concessionária consultada pela reportagem, representante da marca Fiat, o volume de financiamentos manteve-se no mesmo patamar em comparação com 2007. “Cerca de 89% dos carros são financiados”, aponta o gerente de vendas José Raimundo Silva Araújo. O restante é comercializado na base da troca ou pagamento à vista.
Mais vendas
Segundo o gerente Fernando Vieira, de uma revenda GM, 63% das vendas de carros zero quilômetro no primeiro semestre deste ano foram financiadas, contra 37% com pagamento à vista. Na comparação com o ano passado, a opção pelo pagamento imediato cresceu 8%.
Ele explica que, mesmo pelo fato dos pagamentos serem realizados no ato da compra, não significa que o cliente seja “elitizado”. “Não dá para ter essa idéia, não. O cliente que paga à vista não é o classe A nem o C, é o de classe B. O classe A consegue aplicações maiores com o dinheiro que tem em relação aos juros que paga no carro, e a classe C foge do financiamento”, observa.
De acordo com dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras (Anef), 34% das vendas de carros foram pagas à vista no primeiro semestre deste ano, contra 29% no mesmo período de 2007. Um dos motivos apresentados pela entidade para o aumento dos números foi a alta dos juros, que motivou o consumidor a se afastar dos financiamentos.