Economia & Negócios

Taxa de juros inviabiliza prazos longos

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 2 min

O aumento das compras de veículos pagos à vista observado pela Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras (Anef) não condiz com a realidade das camadas mais baixas da população. De acordo com o professor e economista Reinaldo Cafeo, a estatística apresentada pelo órgão contempla o consumidor pessoa jurídica (empresas).

“Não consigo enxergar, no grosso da população, aumento do poder aquisitivo da pessoa física que permitisse comprar um carro à vista”, observa. Para ele, os carros ainda têm preços altos no País.

Segundo Cafeo, apenas as classes A e B e empresas, mais capitalizadas em face do incremento do Produto Interno Bruto (PIB), têm condições de adquirir carros a partir do pagamento à vista.

O economista acredita que um dos grandes entraves para o financiamento de veículos é culpa do próprio consumidor, que não se atenta a prazos e taxas de juros, além de fixar o pagamento apenas no valor da prestação - baixa na maioria dos casos, porém, em prazo extenso. “As pessoas pensam que uma prestação de R$ 300,00 cabe no orçamento, mas se esquecem de outros compromissos”.

A sugestão para evitar o crediário a longo prazo é determinação: o ideal é juntar o equivalente a uma quantidade de parcelas antes da compra, mesmo que o montante adquirido não cubra o valor total do automóvel. “Com 30% ou 40%, é possível dar uma entrada e aliviar o valor financiado, diminuindo o número de prestações e reduzindo o valor final pago em juros”.

Uma das alternativas apontadas pelo economista é poupar o décimo terceiro salário para antecipar parte do financiamento. “O consumidor pode pagar as parcelas com o desconto proporcional às taxas de juros”.

De acordo com cálculos do economista, o consumidor que parcelar um carro no valor de R$ 30 mil em 60 meses, irá pagar R$ 46.354,22 ao final do financiamento. As prestações ficariam em R$ 772,57. Os juros são de 1,41% ao mês.

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