Barra Bonita - A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), de Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru), realiza uma pesquisa científica com o objetivo de avaliar o impacto de cada arte de pesca, que é praticada em reservatórios da região, sobre os peixes nativos e exóticos presentes no rio Tietê.
O projeto denominado “Artes de Pesca de Barra Bonita e Bariri - Tecnologia e Sustentabilidade Ambiental” é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e inclui parceria entre a Unesp de Botucatu, Instituto de Pesca de São Paulo, Instituto de Pesca de Santos e a Apta de Andradina .
“O projeto visa exclusivamente a pesquisa científica para tentar aperfeiçoar o marco legal que rege essas pescarias”, comenta o pesquisador Gianmarco Silva David, coordenador do projeto. “O principal recurso pesqueiro da área é a tilápia e existe alguma polêmica de qual é a maneira mais eficiente para capturá-la. Nosso objetivo é tentar encontrar uma tecnologia que seja possível extrair só tilápia. Ela é uma espécie exótica, que está infestando o rio, tem uma quantidade exagerada”, completa.
Para tentar descobrir qual a arte da pesca mais eficiente na captura da tilápia estão sendo realizadas pesquisas de campo, com pescas experimentais, em vários pontos de amostragem nos reservatórios de Bariri e Barra Bonita, que incluem cidades como Macatuba, Itapuí e Arealva.
“As pescas nesses pontos serão acompanhadas durante um ano consecutivo”, comenta. A pesquisa toda deve levar dois anos, sendo que teve início no mês de julho deste ano. O trabalho está sendo feito por nove pesquisadores, sendo dois da Apta e sete externos. De acordo com David, o valor total da pesquisa gira em torno de R$ 148 mil, aproximadamente.
“A fauna nativa tem que ser protegida com bastante ênfase, enquanto que para as espécies exóticas, que incluem as tilápias principalmente, o ideal é que elas tenham um certo grau de exploração. O objetivo da nossa pesquisa é tentar apontar para o Ibama, e para os órgãos regulamentadores da pesca, quais são as artes de pesca - se é que elas existem - que peguem só tilápia e deixem as outras espécies nativas sem nenhum tipo de impacto”.
Seletivo
O pesquisador acredita que é possível pegar somente a tilápia sem prejuízo para a preservação das demais espécies. “É possível. Existem pelo menos duas artes de pesca que são proibidas, e que tudo indica, só pegam tilápia”, diz.
“A única que é permitida, que é rede em espera, é muito pouco eficiente para pegar tilápia. A legislação é feita para proteger o peixe nativo, mas, na prática, acaba permitindo somente a pescaria que é mais incidente sobre o peixe nativo. Tem um discrepância aí, inclusive em relação à defesa (das espécies nativas)”, revela.
O coordenador da pesquisa lembra ainda que o governo federal tem um custo grande durante o período da piracema (desova dos peixes) ao pagar por quatro meses - de dezembro a fevereiro - um salário por mês para cada pescador parado. “É um grande custo para o governo. São quatro meses de um salário por mês para cada pescador. O governo sustenta o pescador para eles pararem a atividade de pesca”.