Polícia

Acusada de matar a mãe é hostilizada

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Acusada de matar a própria mãe, Daiane Cristina Barbosa, 21 anos, foi hostilizada na cadeia pública feminina de Avaí, para onde foi transferida após o crime registrado em Bauru anteontem. A moça confessou na delegacia ter ateado fogo no corpo de Maria Nilcéia Barbosa, 39 anos. A vítima foi encontrada carbonizada na cozinha da casa onde morava, mas morreu em virtude de pauladas desferidas na região da cabeça.

O caso, considerado hediondo, exaltou os ânimos das outras mulheres também presas em Avaí, que souberam da ocorrência por meio de rádio e televisão. Em meio a batidas de latas e gritos de “assassina”, elas receberam Daiane, que permaneceu em sala separada. Segundo o diretor da unidade, José Firmino de Oliveira, a acusada ficou num local à parte, destinado a flagrantes.

De acordo com ele, o cômodo fica na administração. “Mas como a segurança não é adequada, depois foi transferida para o seguro (cela específica), separado por uma grade dos oito xadrezes. Vamos mantê-la assim até a coisa acalmar. As presas não aceitam no convívio delas uma pessoa que matou a própria mãe”, acrescenta o diretor da cadeia. Segundo Daiane, indiciada por homicídio qualificado, ela cometeu o crime com a ajuda de um cunhado (que seria adolescente) por conta da guarda do filho.

O menino de 3 anos seria criado por Maria Nilcéia. Com a avó morta e a mãe presa, ele será transferido para outra cidade paulista, onde viverá com uma tia da acusada. Terá destino semelhante o irmão de 11 anos de Daiane, muito abalado com a morte da mãe. Até mesmo a rotina de Pingo (o cão da vítima que ajudou a Polícia Militar a encontrar as roupas sujas de sangue da indiciada, forçada pela situação a confessar) foi alterada por conta do assassinato.

Continuidade

Ele já mudou de endereço e, desde ontem, passou a receber cuidados de uma irmã de Maria Nilcéia. A vítima teria sido golpeada na cabeça pelo cunhado de Daiane que, até o fechamento dessa edição, ainda não havia sido encontrado pela polícia. Caberá à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) identificá-lo. Passarão ainda pela delegacia outras pessoas que serão ouvidas no inquérito, que tem dez dias para ser relatado.

O crime foi registrado na quadra 1 da rua Judite França Costa, na Vila São Manuel. Segundo o relato da própria acusada, ela e a mãe discutiam no quintal, quando o rapaz envolvido teria desferido as pauladas. Desacordada, Maria Nilcéia foi levada para a cozinha, onde Daiane jogou o álcool acondicionado numa garrafa pet e ateou fogo no corpo da mãe. Depois, fechou a casa e foi trabalhar. No horário do almoço, retornou para o imóvel e lembrou-se de se desfazer das roupas, deixadas próximo ao Córrego da Grama.

Na seqüência, acionou Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e vizinhos para comunicar a morte da mãe. Na oportunidade, passou-se por vítima.

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