Brasília - Diante do forte crescimento de 6% da economia brasileira no primeiro semestre deste ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou em 0,75 ponto percentual a taxa Selic, para 13,75% ao ano, pela quarta vez consecutiva. Desta vez, no entanto, não houve unanimidade na decisão. Cinco diretores do Banco Central (BC) votaram pelo aumento de 0,75 e três para avanço de 0,50 ponto percentual.
O Banco Central (BC) manteve a trajetória de aperto nos juros, em um momento em que os indicadores econômicos apontam forte crescimento da economia, queda da inflação e agravamento da crise internacional.
Com esse aumento, os juros voltaram ao patamar registrado entre outubro e novembro de 2006. Naquela época, no entanto, o BC estava no meio de um processo de redução da taxa básica. Agora, a expectativa é que os juros continuem subindo para segurar a alta de preços.
No início de 2008, a taxa Selic estava em 11,25% ao ano. Desde então, já foram anunciados dois aumentos de 0,5 ponto percentual, seguidos por duas altas de 0,75 ponto.
A maior parte do mercado financeiro já previa o novo aumento de 0,75 ponto na Selic, mas parte dos economistas acreditava em uma alta menor, devido ao recuo das taxas de inflação no início do mês.
Segundo a pesquisa semanal feita pelo BC com o mercado financeiro, os economistas prevêem agora uma alta dos juros para 14,25% na reunião do fim de outubro e para 14,75% em dezembro (o Copom se reúne a cada 45 dias aproximadamente). Os juros só voltariam a cair no segundo semestre de 2009.
Queda da inflação
O recuo nos preços dos produtos básicos, entre eles os alimentos e o petróleo, era o principal argumento dos que estavam a favor de um aumento menor dos juros nesse mês.
Além da deflação registrada pelo IGP-M em agosto, indicador que influencia aluguéis e tarifas públicas, houve recuou no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice do IBGE utilizado como meta de inflação pelo BC.
A meta definida pelo governo para 2008, 2009 e 2010 é de 4,5% (centro da meta), com tolerância de dois pontos, podendo chegar a 6,5% (teto da meta). O próprio BC já prevê uma inflação de 6% para este ano e está aumentando os juros para trazer a taxa de volta aos 4,5% em 2009.
Outros dados, também do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reforçavam os argumentos a favor da decisão do BC: a produção industrial, as vendas do comércio e o Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas no País, mostraram que a economia continua aquecida, o que aumenta o risco de repasse da inflação para todos os setores.