Depois de um breve passeio pela cidade e antes de voltar para o lugar de origem, o Bauruzinho está dando o que falar. E tem gente falando, falando, falando... Uma das cartas deste último fim de semana (07-09), “Desabafo de universitário”, comentava a prática do uso de drogas e bebedeiras por parte dos estudantes universitários (características recorrentes, mas que não atingem a todos e não se restringem apenas a pessoas desse grupo) e até orgias. Orgias, aliás, eu nunca “aprendi” (mesmo freqüentando repúblicas assiduamente durante quatro anos), nem estórias, que dirá em festas de república. Que esses relatos, então, venham à tona.
Não cabe aqui aos leitores e pessoas que enviam suas colaborações ao jornal ficar julgando, dizendo que faz isso ou se deixa de fazer. Vale o clichê: cada um faz com a vida o que bem entende e, consequentemente, “paga” por seus atos. Se os atos prejudicam a sociedade, por exemplo (como aconteceu em Bauru), o sujeito deverá cumprir as penas que lhe cabem. É o que basta.
Escreveram aqui que os larápios deveriam se tornar “guardiões do Bauruzinho”. É uma idéia esdrúxula, os garotos que roubaram o “monumento” serão julgados e enquadrados de acordo com a lei. Se vão pagar fiança ou não, é outra historinha; ainda assim estarão dentro da lei. Sugerir também que eles “indenizem a reforma” do Bauruzinho não tem nexo algum, é raiva pura. De novo: eles devem ser julgados (pela Justiça) e pagar pelo que cometeram. E ponto. Outra missiva publicada questiona: “o que esperar dessa geração?”.
Como se uma ação isolada, de um grupo ínfimo, contemplasse toda essa geração. Natalia Barrenha e Issac Pipano, porém, em texto lúcido (“Não se pode generalizar”), mostraram que há outro universo: pessoas antenadas com aspectos da cidade, desenvolvem projetos, idéias, atitudes, a fim de contribuir, melhorar bairros, mostrar perspectivas novas, condições de vida, do município em que habitam. Essas ações passam despercebidas, não ganham o mesmo destaque, até por razões óbvias: todo mundo vai querer saber quem roubou o Bauruzinho, mas poucos despertarão interesses acerca das boas ações promovidas por qualquer grupo que seja.
Deve-se estar atendo, há um caminhão de opiniões vazias e um foco midiático (com manchetes sensacionalistas) que generaliza os assuntos e discute o tema de forma superficial. É preciso pensar antes de agir e de escrever pre-conceitos e outras abobrinhas.
Gabriel Ruiz