Pesca & Lazer

História de pescador: Atropelos de uma Pescaria


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No regresso de uma pescaria no rio Miranda, meu vizinho Luiz me contou os atropelos dessa façanha. A comitiva era composta dos seguintes pescadores: Luiz, Atilio, João e Toni. Partiram de Bauru num carro antigo Fiat 147 a álcool. Nem é necessário comentar o transtorno dessa viagem, que durou quatro dias! O carro só andava bem nas descidas, e nas subidas o combustível não chegava ao motor. A cada oficina que encontrava no trajeto eram substituídas algumas peças e faziam limpeza do carburador. A viagem foi uma tormenta!

Após muito sofrimento, chegaram ao destino e foram diretos para a casa de um irmão deles, o Jesus, que morava e trabalhava lá. Antes de partirem para a pescaria, Jesus alertou a todos que no caso de enxames de pernilongos deveriam levar todo o equipamento para dentro da mata. No trajeto da barranca do rio até a mata deveriam observar barulhos, pois existem lá muitas queixadas (porco do mato) e que andam em manadas. As queixadas possuem enormes dentes e são pontiagudos. Na correria da manada, elas fazem estragos total das lavouras existentes, destruindo-as completamente.

Jesus ainda recomendou que, caso ouvissem um barulho forte e ensurdecedor na mata, era necessário subir rapidamente em árvores e se protegerem, porque as queixadas levam tudo a peito, fazendo um enorme barulho! Logo que entraram na mata ouviram um ruído muito forte, cujo barulho ia aumentando rapidamente.

Em seguida e baseados no conselho de Jesus, subiram numa árvore bem alta. O Atilio foi parar na copa e lá do alto observou que um trem da estrada de ferro Noroeste do Brasil vinha vindo, trafegando em direção a Porto Esperança. O barulho da locomotiva fazia eco na mata e todos pensavam ser as tais queixadas que se aproximavam deles. Percebendo o engano, desceram da árvore e suspiraram aliviados com sorrisos disfarçados!

O regresso foi bem melhor e mais rápido, porque ao saírem do rio Miranda encontraram bem perto deles um alicate que serviu de ferramenta para apertar a rosca do tanque de combustível do carro, que retornou para Bauru sem parar na estrada. Segundo me disseram, o alicate foi encontrado entre os ossos e espinhos de um grande peixe que talvez seja o tal citado pelo Fernando Lucilha Jr.

Dorival Nogueira é pescador e contador de histórias

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