Regional

Canavial “expulsa” milho da região

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Itapuí - O ciclo de ganhos financeiros atraentes com a produção da cana-de-açúcar fez o produtor abandonar o plantio de milho nas regiões de Bauru e Jaú. Lavouras do grão em Arealva, Bariri, Itaju, Boracéia, Jaú e Pederneiras foram transformadas no “oásis verde” nos últimos três anos. Hoje quem precisa do milho tem que recorrer às regiões Mogiana e Sorocabana no Estado de São Paulo ou a outros Estados. Isso implica em aumentos indesejáveis de custos com frete.

O frigorífico Itabom, em Itapuí (44 quilômetros de Bauru), precisa alimentar com o cereal 5,8 milhões de aves criadas em granjas na região de Bauru. Os frangos consomem uma ração que combina 80% de milho e 20% de soja, fornecida pelo Itabom. A demanda do frigorífico é de 1,8 milhão de sacas de milho por ano. O diretor executivo da Itabom, o economista Carlos Sette, explica que a falta do grão na região obriga a empresa a gastar com fretes para trazer de longe o produto que, até há pouco tempo, encontrava-se em grandes quantidades nos municípios vizinhos ao abatedouro. Para Sette, a escassez do milho se explica pela migração do produtor para a cana e a exportação do produto para os Estados Unidos.

Para dar volume ao problema, ele cita o encarecimento da principal matéria-prima (milho) para a engorda do frango no período de um ano. Em março do ano passado, a saca do milho custava R$ 14,00 e em março último já estava em R$ 24,00. “A tendência da saca é subir porque agosto é entressafra”, frisa Sette.

Diante da crise, o Itabom inicia uma parceria com produtores para que apostem no plantio do milho. “Todo o esforço para a parceria visa sanar uma carência da falta do cereal na região”, diz Sette.

Os efeitos provocados pela migração do milho para a cana afeta em menor escala a avícola Santa Cecília, também de Itapuí. O diretor comercial da empresa, Renato Prado, comenta que a região fornece 5% do milho que a empresa consome, porém o volume já chegou a cerca de 20%. Prado avalia que a diminuição decorre da expansão da cana. “O assédio da cana foi muito grande. O risco do plantio do milho e da soja é muito alto. A cana você não tem esse risco alto”, salienta.

Ele explica que a Santa Cecília “importa” milho das regiões Mogiana e Sorocabana do Estado de São Paulo. A principal matéria-prima, misturada com soja, alimenta os 600 mil frangos (de um dia de idade a 47 dias) criados em granjas da região e abatidos na Santa Cecília.

Quem precisa de milho também pode recorrer às lavouras de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Porém, dificilmente encontrará atualmente o produto na região de Bauru.

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