Regional

Usina rejeita cana-de-açúcar de graça

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Itapuí - O frigorífico Itabom convive com uma situação completamente absurda. É uma empresa que consome milho que “importa” de outras regiões. Uma das unidades do frigorífico em Itapuí faz divisa com uma plantação de cana-de açúcar, que o produtor Francisco José Martinez Jr., 40 anos, ofereceu de graça para uma usina, que rejeitou as 6 mil toneladas cultivadas em 30 alqueires. “Hoje não compensa plantar cana. A Cosan estava cortando cana do nosso lado. Ia dar para eles de graça só para que colhessem. Mas nem dando eles quiseram. O gerente disse que nem a cana deles vão conseguir cortar esse ano”, relata. Agora, Martinez ficou com o prejuízo, pois integra o grupo de pequenos produtores que firmaram apenas um acordo verbal com a usina, não tendo a garantia de compra do produto.

A história de Martinez é muito parecida com a de muitos pequenos produtores rurais seduzidos pelo “oásis verde” da cana-de-açúcar. No sítio vizinho à Itabom tinha pasto para criação de gado. O produtor optou por retirar as cercas e outros equipamentos para formar a lavoura de cana plantada em 2005. Na safra de 2006 veio a recompensa ao receber R$ 52,00 pela tonelada de cana, pagas pelo Grupo Cosan. No ano seguinte, a usina ficou com apenas 193 toneladas, com Martinez recebendo apenas R$ 12,00 por tonelada, uma queda de 77% na rentabilidade.

“Veio para quebrar porque esse preço não dá nem para adubar a cana”, lamenta. O restante da cana o produtor conseguiu negociar com a Usina Maringá, da região de Araraquara, recebendo R$ 17,00 a tonelada, valor 67% menor do que os R$ 52,00 pagos no ano anterior. “Tive prejuízo e não consegui cobrir o custo”, explica. Passado o período certo para a colheita, a cana perde o teor de sacarose – popularmente fica azeda.

Fim do oásis?

O campo garantiu o bom resultado da economia brasileira neste trimestre. A agropecuária cresceu 7,1%, superando a indústria, que cresceu 5,7%, e o setor de serviços, 5,5%. O milho é um dos destaques ao lado do café em grão, arroz e soja.

Com preços pouco vantajosos o “oásis de cana-de-açúcar”, que tomou milhares de hectares da região de Bauru, deve perder espaço nos próximos anos para lavouras de milho, soja, amendoim e outras culturas. O secretário-geral dos Plantadores de Cana do Brasil, Paulo Brandão, lembra que para se produzir uma tonelada de cana o produtor investe R$ 55,00 em média e só vende por R$ 35,00. Esse valor é pago ao produtor que possui contrato com as usinas. “Acredito que em dois ou três anos vai haver uma grande diversificação de culturas aqui na região. Com aquele incentivo todo que o governo deu, a gente não tem o que fazer com 50 milhões de toneladas (de cana). Só no Estado deve ficar sem cortar na safra atual 10 milhões de toneladas”, diz.

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