As boas notícias vêm todas do setor produtivo, com o fechamento dos números oficiais relativos ao comportamento da economia brasileira no primeiro semestre de 2008. Os dados divulgados esta semana pelo IBGE e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam na mesma direção de um sólido crescimento da indústria, da agroindústria e de serviços, com taxas bastante equilibradas entre os setores. Começando pelo PIB, que cresceu 6% em comparação com o primeiro semestre de 2007, os resultados da atividade econômica superaram as expectativas da maioria dos analistas: a indústria apresentou um crescimento de 6,3% , o setor agrícola terminou o semestre com um crescimento de 5,2% e os serviços tiveram uma expansão de 5,3%, em comparação com o período homólogo de 2007. Muito significativo foi o índice da formação bruta de capital fixo que teve uma alta de 15,7% nos seis primeiros meses de 2008, a maior taxa apurada desde que começou a ser calculada, há 12 anos.
O IBGE registrou também a continuação do forte crescimento da construção civil (9,9% no segundo trimestre de 2008 sobre 2007), impulsionado pela expansão dos empréstimos ao setor de habitação e pelo crescimento de 5% da população empregada no setor. Neste mesmo intervalo a indústria de transformação cresceu 4,8% , a produção de petróleo e gás 5,1% e a indústria mineral 7,3%. Nos Serviços, os destaques foram a intermediação financeira (bancos, seguradoras) com crescimento de 12,7% , o setor de informática (9,7%) e do comércio atacadista e varejista (8,9%).
Para completar o quadro de robusto crescimento da economia brasileira neste ano de 2008, a Conab divulgou, no início da semana, os dados do último levantamento da safra nacional de grãos 2007/2008, que registrou um recorde de produção, totalizando 144 milhões de toneladas (143,87 milhões/t, o número final das colheitas).
O resultado impressiona, pois registra um aumento da oferta de 12 milhões e 100 mil toneladas de alimentos de um ano para outro e, mais importante ainda, com uma elevação de 6,5% da produtividade média nas lavouras: o acréscimo de apenas 1 milhão e 150 mil hectares de cultivo, correspondendo a 2,5% do total da área de plantio, produziu um aumento do volume físico de 9,2% entre as safras 2006/2007 e 2007/2008. Essa performance extraordinária vem na seqüência de quase uma década em que o setor agrícola tem elevado os índices de produtividade na média anual em torno de 3%, fruto da maturação da pesquisa, especialmente da Embrapa, dos investimentos em tecnologia e do financiamento para modernização dos equipamentos.
O desenvolvimento da agropecuária no Brasil vai depender da aceleração dos investimentos na infraestrutura de transportes de forma a eliminar os gargalos do escoamento das safras devido ao estado precário de nossas rodovias e da carência de ferrovias, hidrovias e instalações portuárias. O papel do Estado indutor tornou-se ainda mais urgente neste momento, devido à necessidade de compensar o efeito do enfraquecimento dos preços externos das commodities, somado à elevação dos preços dos insumos que já inflam os custos do plantio da nova safra.
O autor, Antonio Delfim Netto, é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento - e-mail: contatodelfimnetto@terra.com.br