Bairros

Falta água; DAE põe culpa no calor

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de uma tarde em que a temperatura chegou a 34,6 graus, a mais alta deste ano em Bauru, tomar um banho ao chegar em casa é sagrado. Mas ontem, muitos bauruenses tiveram de esperar por horas a água chegar às torneiras para poder se refrescar. É que, nos horários de pico, está faltando água em vários pontos da cidade, principalmente os mais altos. Segundo o Departamento de Água e Esgoto (DAE), por causa do calor, a população está consumindo mais água. E com isso, o produto está faltando em algumas regiões nos horários de pico de consumo, como pela manhã, horário do almoço e final de tarde/início de noite.

Para enfrentar a situação, o DAE informa que aumentou a produção de água dos poços profundos, que fornecem 60% da água consumida na cidade, e agora pede economia à população. José Brazoloto, diretor de produção da autarquia, explica que os poços, que normalmente operam entre 14 e 15 horas por dia, já estão funcionando na capacidade máxima permitida por lei, que são 20 horas por dia. “Não podemos retirar água do poço por mais de 20 horas por dia por força de lei, para garantir a recuperação do manancial”, explica.

A Estação de Tratamento de Água (ETA), que retira água do rio Batalha e é responsável por 40% do abastecimento da cidade, também está funcionando na capacidade máxima, com três máquinas ligadas, de acordo com Brazoloto. Portanto, segundo ele, não é possível aumentar a produção de água. “O que está ocorrendo é aumento de consumo por causa do calor”, afirma, ressaltando que em dias quentes as pessoas, além de mais banho, costumam lavar mais carros e quintais.

Diante da situação, Brazoloto pede economia à população. “Solicitamos que por esses dias quentes as pessoas não lavem carros, calçadas”, frisa. Por dia, de acordo com o diretor de reservação do DAE, os poços profundos produzem uma média de 67 milhões de litros de água e a ETA, outros 27 milhões de litros. Considerando que a cidade tem cerca de 350 mil habitantes, são 268 litros de água por dia por morador.

Para um morador do Centro, que ontem reclamou de falta d´água ao JC, o DAE deveria ter explicado o problema antes. Ontem, ao chegar em casa e não ter água para tomar banho, ele ficou indignado. “Tinha um compromisso e não vou poder ir porque não tem água para tomar banho. Além disso, tive de parar de trabalhar antes das 18h, no horário de movimento, por falta d´água”, relata ele, que é cabeleireiro.

Ele trabalha e mora no mesmo prédio, que tem caixa d´água, mas que esvaziou-se durante o dia. “Ontem (anteontem) foi a mesma coisa. No final da tarde faltou água e eu liguei no DAE e disseram que o abastecimento só iria se normalizar à meia-noite”, relata, reclamando do atendimento recebido.

A situação é mais complicada na região do Jardim Redentor, onde a distribuição de água está prejudicada também por conta das obras de reforma em um dos dois reservatórios que abastecem a localidade. O comerciante Genival Cícero dos Santos, por exemplo, está guardando água em galões para não parar a construção de um sobrado no Núcleo Bauru 22. “Aqui no bairro sempre falta água, mas por estes dias está pior. Só tem água à noite”, diz.

Moradora do Jardim Redentor, Maria de Fátima Rosa diz que só não está sem água porque tem caixa de 1.500 litros. “Mas meus vizinhos estão passando por dificuldade porque só chega água da rua à noite”, frisa. A região do Redentor é abastecida por dois reservatórios, mas um deles, que estava com trincas e rachaduras, está sendo reformado. A previsão é terminar a obra, iniciada na segunda-feira, na próxima terça-feira.

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