Lençóis Paulista - Parte de uma quadrilha que vinha aterrorizando moradores e comerciantes da cidade de Lençóis Paulista (43 quilômetros) foi desbaratada ontem com a prisão de seis deles, três fugitivos da cadeia pública de Duartina. Um deles se identificou como sendo integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
A prisão foi feita pela Polícia Militar da cidade, que recebeu um chamado anônimo feito por uma voz feminina que pedia socorro após ter sido expulsa da casa onde os marginais estavam escondidos. Ela era “ficante” de um dos integrantes do bando.
O local, uma propriedade rural no sentido Lençóis Paulista-Borebi, foi cercado e quatro foram presos no interior do imóvel. O quinto integrante foi preso quando chegava na propriedade em um Chevette. Já o sexto foi pego ao chegar na fazenda Faxinal em uma moto.
A suspeita de que a quadrilha seja formada por 10 pessoas e de que quatro integrantes estão foragidos surgiu depois que várias vítimas de roubos recentes estiveram na delegacia e reconheceram roupas, tênis, capacetes e objetos dos assaltantes sem identificar aqueles que estavam presos.
Uma vítima de roubo na noite de quarta-feira, que preferiu não se identificar, reconheceu um dos presos como sendo um dos homens que entrou no estabelecimento comercial, rendeu dois funcionários e levou R$ 1.500,00 em dinheiro.
A vítima também reconheceu a moto usada para a fuga, dois capacetes e o revólver do qual saiu o tiro que quase a feriu. Ela tentou correr atrás do ladrão, mas ele atirou contra ela e fugiu na moto.
Outra vítima de assalto não viu entre os presos o rapaz que praticou o assalto contra seu estabelecimento comercial, mas reconheceu o tênis que foi apreendido na casa onde eles estavam foragidos. Um capacete e a moto foram reconhecidos por uma outra vítima.
Ainda foram apreendidos uma trouxinha de maconha, três celulares, um chip, R$ 230,00 em dinheiro e uma carta do PCC com o regulamento da facção.
Foram presos A.R.S.R., 34 anos; T.M.S., 21 anos; D.J.F., 27 anos; todos foragidos da Cadeia Pública de Duartina, além de S.C., 37 anos, D.M., 28 anos, e A.A.G., 21 anos, (apenas as iniciais foram divulgadas pela polícia). G.L.S., 18 anos, figurou no flagrante como averiguada e a identificação das vítimas não foi divulgada pela polícia.
Todos os presos foram autuados em flagrante por roubo, formação de quadrilha, porte de entorpecente e atentado violento ao pudor, de acocordo com a polícia Civil.
Segundo informações extra-oficiais, já que a polícia só forneceu as iniciais dos nomes dos presos, o integrante do PCC seria um tal de Rogério que fugiu e deu fuga para 4 detentos da Cadeia de Duartina, no último final de semana. Ele teria dito para uma fonte que serrou a grades da cela no sábado, por volta das 21h.
Um tal de Davi, que tinha sido preso na quinta-feira, dia 4, em Lençóis Paulista, por ser foragido do Instituto Penal Agrícola de Bauru, teria aproveitado o plano de fuga de Rogério e fugido. Ontem, cinco dias depois, foi preso novamente.
Jovem averiguada
Uma estudante de 18 anos foi detida para averiguação. Ela chegou no imóvel rural em companhia de um dos presos que ocupava um Chevette. Na delegacia, entre lágrimas, contou que tinha ido tomar um chope em uma lanchonete na noite de quarta-feira e conheceu um amigo de sua amiga e resolveu ficar com ele. “Ele me pareceu gente boa.”
A jovem avisou a mãe e seguiu com ele, já no começo da manhã, para a chácara. Quando chegou lá, ela foi presa junto com o recém-conhecido. “Eu usei farinha (cocaína) no final de semana, mas não ia usar hoje. Não imaginei que o rapaz estivesse envolvido com uma quadrilha.”
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Ficante
Uma mulher de 42 anos, que era “ficante” de um dos integrantes da quadrilha foi quem denunciou o “mocó” para a polícia. Ela contou que estava com seu ficante, um tal de Lelê, 27 anos, quando ele a convidou para passar o resto da noite na chácara, onde eles usariam drogas. “Eles usam farinha e pedra.”
No imóvel rural tinha uma outra mulher que queria pedra e o tal Lelê teria saído com ela para buscar, em Lençóis. “Ele mandou eu ficar no quarto que ele logo retornaria.”
Na espera pelo amante, a mulher foi abordada por outro integrante do bando que ela não conhecia. “Ele queria me obrigar a usar um bagulho, mas eu relutei. Ele tentou me agarrar e eu me desvencilhei dele, cheguei a agredi-lo. Ele tomou os R$ 50,00 que eu tinha.”
A vítima teria pego o celular e ligado para um amigo, que é mototaxista. “Eu não sabia onde estava. O cara me viu usando o celular e achou que eu estava chamando os gambé (PM) e ficou bravo.” Na confusão, apareceu um terceiro homem armado, que viu a mulher chorando. “Ele disse que não me levava embora porque a moto dele estava com o pneu furado. Mandou eu sair pelos fundos e correr sem olhar para trás. Foi o que eu fiz.”. Quando se sentiu um pouco mais segura, a vítima ligou para a PM.