Santa Cruz - A Bolívia foi dividida ao meio por protestos e bloqueios de estrada ontem, um dia depois de 14 pessoas terem morrido - segundo rádios de Pando - em choques entre adversários e simpatizantes do presidente esquerdista Evo Morales.
O governo boliviano denunciou novamente ontem um “massacre” de camponeses no Estado amazônico de Pando, um dia depois das lutas sangrentas entre opositores e governistas, no mesmo distrito, devido à crise política no país.
O vice-ministro da Coordenação com Movimentos Sociais, Sacha Slorenti, disse a jornalistas que os choques entre os camponeses que apóiam o governo e as pessoas veiculadas ao governo de Pando fizeram “aproximadamente 10 mortos”. No entanto, rádios locais informaram que morreram pelo menos 14 pessoas. O governo declarou estado de sítio em Pando.
A violência no Estado, um dos quatro liderados por opositores que exigem a autonomia em relação ao governo central, começou na quinta-feira e foram os enfrentamentos mais graves desde que começou a onda de protestos regionais contra os planos socialistas do presidente Evo Morales.
Abastecimento interno
Ontem, bolivianos fizeram longas filas em vários bairros de Santa Cruz de la Sierra, capital de Santa Cruz, para comprar botijões de gás. Muita gente amanheceu ontem nas filas. Motoristas também passaram horas em filas nos postos de gasolina da cidade.
Diálogo
O governo ofereceu ontem iniciar diálogo - sem impor condições prévias - com o governador de Tarija, Mario Cossío, com o objetivo de acabar com a violência política. “O governo volta a reafirmar sua convicção séria e decidida para retomar um diálogo produtivo nas próximas horas”, anunciou o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana.
Cossío, que coordena os colegas opositores nas relações com o governo, pediu na noite de ontem ao presidente Evo Morales que fixasse data e hora para que as partes envolvidas no conflito se sentem à mesa de negociação. O governador foi chamado pelo governo para uma reunião no fim da tarde de ontem.
Militares criticam Chávez
Militares bolivianos afirmaram ontem que rejeitam qualquer intervenção militar internacional no país. O grupo faz referência à oferta de intervenção feita pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, em caso de ameaça contra o presidente boliviano, Evo Morales.
“Ao presidente da Venezuela, o senhor Hugo Chávez, e à comunidade internacional, dizemos que as Forças Armadas rejeitam enfaticamente intervenções internacionais de qualquer tipo, não importa de onde venham”, disse comandante-em-chefe Luis Trigo, também na TV. “Não permitiremos que nenhum soldado ou força armada estrangeiros ponham pé em nosso solo.”
Organizações internacionais
A Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União Européia pediram ontem que a oposição e o governo boliviano dêem fim aos conflitos, fizeram um apelo por uma mesa de diálogo e se colocaram a disposição para ajudar no conflito.
EUA
O Departamento de Estado dos Estados Unidos disse ontem que informou a Venezuela sobre a expulsão de seu embaixador em Washington, em mais um episódio da crise diplomática entre os líderes de esquerda da América Latina.
“Lamentamos a ação dos dois, do presidente Hugo Chávez e do presidente Evo Morales, que expulsaram nossos embaixadores da Venezuela e da Bolívia, respectivamente”, disse o porta-voz do Departamento de Estado Sean McCormack a jornalistas. “Isso reflete a fraqueza e o desespero desses líderes enquanto enfrentam desafios internos”, acrescentou.
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A crise e o Brasil
Brasília - O governo brasileiro não considera a mediação do Grupo de Amigos da Bolívia para o conflito no país vizinho rejeitada pelo presidente boliviano Evo Morales e continua à disposição para contribuir na solução da crise, disse um ministro ontem. Em conversa por telefone com Lula, Morales havia dado sinal verde. Mais tarde, porém, ele declinou da oferta, apostando em solução interna.
Fronteira fechada
Manifestantes bolivianos do Comitê Cívico da cidade de Arroyo Concepción, na Bolívia, bloquearam a fronteira com a cidade de Corumbá, no Brasil desde a madrugada de ontem. O bloqueio deve durar 72 horas.
Brasileiros na Bolívia
Os brasileiros que vivem em Santa Cruz de la Sierra, capital do Departamento (Estado) de Santa Cruz, formaram longas filas no consulado do Brasil ontem por causa de temores de um agravamento da crise na Bolívia. Nestes três últimos dias, o total subiu para mais de 200 pessoas por dia.
Fornecimento normalizado
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse ontem que o fornecimento de gás para o Brasil está praticamente “normalizado’’. Dos 31 milhões de metros cúbicos por dia, estão chegando ao país entre 29 milhões e 30 milhões.