Ver o Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru lotado é algo que se tornou corriqueiro. No entanto, muitas das pessoas que procuram a unidade de saúde não deveriam estar lá. Só estão por dois motivos. Um deles é a falta de uma unidade básica de saúde, o núcleo, bem equipada e com médicos perto de casa. A outra razão é a cultura da urgência, ou seja, uma dor nas costas ou uma unha encravada viram motivos para se procurar o pronto-socorro.
Se as pessoas que procuram o setor de urgência e emergência do município tivessem o costume de procurar primeiro a unidade básica do bairro e se essa unidade funcionasse como deveria, o pronto-socorro não ficaria superlotado como ocorre com freqüência. Essa é a opinião dos profissionais de saúde que lidam com o problema quase que diariamente.
É o caso do secretário municipal de Saúde, Mário Ramos. De acordo com ele, é preciso que a população entenda que pronto-socorro é local de urgência e emergência. Problemas que não se encaixam nesse perfil tem de ser tratados e medicados na rede básica.
Mas o próprio secretário admite que existem algumas deficiências no sistema básico. “Temos dificuldades para contratar médicos para algumas especialidades, como pediatria e psiquiatria.”
Além disso, faltam unidades em algumas regiões da cidade como as compreendidas pelo bairros Ferradura Mirim, Tangarás e Parque Bauru, entre outros. Tanto o Plano Diretor quanto a Conferência Municipal de Saúde apontam a necessidade de atendimento médico nesses locais. O que existe, segundo o secretário, é um plano para aumentar a presença do Programa Médico da Família nessas áreas.
“Se eu tenho uma rede básica eficaz, a tendência do paciente chegar ao Pronto-Socorro é mínima”, diz o médico José Eduardo Passos. “Só chegaria ao Pronto-Socorro o paciente que é do pronto-socorro e não aqueles que chegam ao local por causa da carência de médico na rede básica.”
Como conseqüência, aumenta o volume de atendimentos desnecessariamente. “Aí o médico fica irritado porque o caso não é urgente e o paciente não era para estar lá. E o paciente fica bravo porque no bairro dele não tem unidade e ainda por cima teve de esperar”, comenta Passos.
Na correria para atender o maior numero possível de pacientes, a probabilidade de passar uma patologia grave sem ser percebida é muito grande, segundo ele. “O cansaço e o volume atrapalham a qualidade da medicina”, afirma.
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Integração entre Samu e Bombeiros
Quem precisa do auxílio do serviço de urgência e emergência em Bauru pode ligar para 192 ou 193. Embora os números pertençam a corporações distintas, a resposta à solicitação será a mesma. Desde o início deste ano, o Samu, que atende pelo 192, trabalha de forma integrada com o Corpo de Bombeiros, que atende pelo 193.
De acordo com o médico José Eduardo Passos, coordenador geral do Samu, a parceria melhorou a qualidade e a agilidade do serviço prestado à população. Não importa para qual número a pessoa liga, o pedido de socorro é passado para os dois serviços. No caso de um acidente grave, por exemplo, o comunicado chega simultaneamente para as duas corporações. O deslocamento das viaturas também ocorre ao mesmo tempo.
Até para facilitar esse serviço de integração, Samu e Corpo de Bombeiros atuam no mesmo prédio. Das cinco bases do Samu, três ficam junto com os bombeiros: no Distrito Industrial, na quadro 2 da rua Marcondes Salgado e na Vila Falcão. As outras bases ficam no Jardim Bela Vista, ao lado do Pronto-Socorro, e perto do Hospital Estadual (base administrativa).
Segundo Passos, a iniciativa é inédita no Brasil. “Bauru é a única cidade brasileira que possui um trabalho integrado entre Samu e Bombeiros. E isso saiu publicado em uma revista de urgência e emergência de circulação nacional”, afirma.
A iniciativa ajudou também o Samu a “cercar” a cidade e, com isso, diminuir o tempo de atendimento. Nos últimos quatro anos, o número de viaturas subiu de quatro para dez. Em 2007, das 77.590 ligações recebidas pelo 192, mais de 20 mil foram atendidas por uma ambulância do Samu. A maioria das chamadas, no entanto, mais de 34 mil, precisou apenas de uma orientação médica.