Cem anos da imigração japonesa no Brasil. Comemorações, manifestações da junção das culturas, uma celebração em homenagem a essa integração. Opondo-se inteiramente, uma lei. A União Européia decreta a proibição da entrada de imigrantes em vários países europeus. Idéias, pensamentos e atitudes contrárias que nos fazem refletir: seria a imigração benéfica em seus resultados ou não? De um lado enxergamos a mistura de crenças, culturas, costumes e raças, que de uma maneira geral atua promovendo a não-xenofobia e a aceitação e até mesmo integração de modos de viver distintos. Isso tudo nos une como “mundo”, deixando de lado as dessemelhanças que insistem em falar mais alto e nos afastar, definindo-nos como populações tão diferentes e impossibilitadas de nos incorporarmos.
A outra face da moeda é aquela marcada pelo medo. Medo das ameaças que estrangeiros podem representar, do terrorismo, dos contrabandos, das armas, das drogas. Medo esse não sem fundamento, pois já temos provas suficientes de que mesmo tomando tantas medidas de segurança, o perigo é válido e iminente.
Resta-nos fazer a pergunta: quando o homem estará preparado para interagir com outros homens, independentemente de sua classe ou credo, sem agir feito animais irracionais em uma selva lutando a esmo por um pedaço de carne ou por seu território? Quando chegarmos a uma resposta, aí então poderemos abrir as portas do mundo sem insegurança, relutância ou medo das conseqüências.
Marília Cancian Bertozzo