Com a renúncia de Bento da Cruz e Pereira da Silva, em março de 1915, Gustavo Maciel foi conduzido à presidência da Câmara de Bauru e Figueira de Mello escolhido como prefeito entre os vereadores. A calmaria política reconduziu em 1916 o que de melhor havia na ala dissidente do PRP: Gustavo Maciel (presidente), Eduardo Vergueiro de Lorena (vice) , Luís Vicente Figueira de Mello (prefeito) e Gerson França (vice). Em 1917, com nova legislatura de 3 anos, o grupo foi reeleito com uma pequena alteração: Octavio Pinheiro Brisolla assumiu a vice-presidência no lugar de Lorena. Será com Brisolla aflorada nova divergência do grupo dominante. Para renovar a Câmara em 1918, Maciel e o secretário administrativo da Câmara Fernando Zuicker não compareceram. Brisolla mesmo assim abriu a sessão e notou o desaparecimento do livro de atas. Não teve dúvidas: adquiriu outro, abriu a sessão e elegeu a nova mesa: Figueira de Mello (presidente), José Gonçalves Fraga (vice), Brisolla (prefeito) e Joaquim Wenceslau de Souza (vice), consignando essas medidas no livro novo.
A discórdia originara-se da resistência de Maciel em aceitar Brisolla como prefeito, fato que implicaria para ele na perda absoluta do domínio político local. Brisolla ficou sabendo que o livro anterior estava com Maciel. O delegado de polícia Alfredo de Assis abriu inquérito, apreendeu o livro anterior e verificou a elaboração de uma ata considerada clandestina, onde era declarado presidente da Câmara Gustavo Maciel e José Rodrigues de Souza, prefeito.
Assim, duas Câmaras passaram a funcionar, uma, dirigida por Mello, no predito próprio; outra, comandada por Maciel, reunindo-se na praça municipal, nos bancos do jardim. O jornal “O tempo”, de propriedade de Carlos Marques da Silva, noticiou essa anomalia. Com fúria, Maciel procurou Marques da Silva para tirar satisfação sobre a divulgação, dirigindo a ele: “- Você vai engolir o que escreveu!” Prevenido, antes de ser agredido, Marques arrancou o revólver e deu dois tiros na barriga de Maciel. Este foi hospitalizado e não morreu. Marques foi detido na cadeia pública.
Brisolla não aceitava a orientação de Maciel e desagradava o núcleo monolítico no poder. Conseguiu ser prefeito em 1919, mas o litígio com Maciel repercutiu em Figueira de Mello que, desgostoso, abandonou a política e foi ser presidente da Sociedade Rural Brasileira. Em 1920, aliado a Virgilio de Toledo Malta, Brisolla, contra a vontade de Maciel e Vergueiro de Lorena, foi reconduzido ao cargo de prefeito. Na Câmara dessa legislatura, quando compareciam Malta e Antonio Gonçalves Fraga, dela ausentavam Maciel e Lorena. Isso incomodava o Partido na Capital. Em 1920, a não escolha de Brisolla como prefeito seria o primeiro passo dado para a conciliação das forças do PRP em Bauru. A política local prejudicava a própria administração da cidade. Em 29 de junho de 1922, ocorreu a intervenção branca, quando, no escritório político do deputado federal Raul Renato Cardoso de Mello, com a presença do deputado estadual Luiz Toledo Pizza Sobrinho, Virgilio Malta renunciou da presidência da Câmara e Gustavo Maciel foi para ela conduzido, ficando a comissão executiva do PRP constituída por Cardoso de Mello, Vergueiro de Lorena e Virgilio Malta. Maciel foi presidente na legislatura de 1923 até a de 1925 e Malta prefeito, renunciando em 1925, por motivo de saúde, quando assumiu Lorena. Nesse ano Maciel faleceu e em sua homenagem mudaram o nome da Rua Constituição para o nome dele. Em 12 de janeiro de 1926, Malta faleceu. Lorena ocupará o vazio deixado.
O autor, Irineu Azevedo Bastos, é colaborador de Opinião